A protagonista da série de seis episódios, produzidos pelo canal National Geographic, disse à Lusa que se tornou "hiperconsciente" e mudou a sua vida quotidiana em função do que aprendeu no papel de Nancy Jaax, a tenente-coronel que descobriu um surto de Ébola nas instalações de pesquisa de Reston, Virginia, em 1989.

"Passei a trazer desinfetante para as mãos para todo o lado, nunca toco nos postes do metropolitano e estou muito consciente de quantas vezes por dia toco na minha cara. Tento não o fazer", explicou a atriz, referindo que os especialistas em doenças infecciosas com quem trabalhou na série lhe disseram que as pessoas que tocam muito na cara andam sempre doentes.

"The Hot Zone" é baseada no livro de não-ficção com o mesmo título publicado em 1994 por Richard Preston, no qual é contada a história verdadeira de como Nancy Jaax detetou Ébola em macacos trazidos das Filipinas e evitou o seu contágio a 30 quilómetros da Casa Branca.

Na altura, não havia protocolo sobre como lidar com uma possível epidemia de Ébola em solo norte-americano e a agência reguladora, o Centro para o Controlo de Doenças (CDC), queria evitar o caos que surgiria se a população fosse avisada do perigo.

"Ela teve de fazer tudo isto em segredo e tentar perceber como fazer testes em muitas pessoas sem levantar suspeitas, porque o Ébola Zaire tem um período de incubação de 21 dias", explicou Julianna Margulies.

A atriz, que ficou conhecida pelo papel de Carol Hathaway em "ER - Serviço de Urgência" e mais tarde por interpretar Alicia Florrick em "The Good Wife", disse que a parte mais difícil das filmagens foi usar os fatos que os patologistas que trabalham na "zona quente" têm de utilizar.

"Sabia que era um pouco claustrofóbica, mas não me apercebi do quanto até que me enfiei num desses fatos", afirmou. "Foi um desafio, não só porque nos fecham dentro de 50 libras [22 quilos] de borracha e não conseguimos ouvir ninguém falar, mas também não nos conseguimos ouvir a nós, porque a circulação de ar é feita com duas ventoinhas na parte de trás". O ruído, contou, "torna muito difícil a concentração".

A preparação foi "muito mais longa" que a que fez para "ER - Serviço de Urgência", revelou, devido à carga científica dos diálogos e monólogos. A verdadeira Nancy Jaax deu-lhe apoio durante a preparação e o sobrinho da tenente-coronel, o especialista Michael Smit, deu-lhe treino técnico para os diálogos e protocolos no laboratório e na "zona quente", onde os agentes infecciosos estão guardados e contidos.

Com Liam Cunningham ("A Guerra dos Tronos") e Topher Grace ("BlacKkKlansmann: O Infiltrado", "Homem-Aranha 3") nos outros papéis principais, a ação da série centra-se no perigo de uma doença altamente contagiosa e com uma taxa muito elevada de mortalidade, algo que Margulies disse ter-lhe causado pesadelos.

"O que espero com esta série é que chame a atenção para o facto de que esta é uma crise global", sublinhou a atriz. "Não é uma crise africana ou algo que só acontece a outras pessoas".

Julianna Margulies considerou que a falta de investimento em pesquisa para compreender e conter a doença está relacionada com o facto de até agora esta ter atingido sobretudo países africanos. "Porque não nos afetou ainda diretamente, ninguém está a prestar atenção e não pensam que é importante robustecer a investigação", declarou.

Margulies sublinhou ainda que é preciso "ajudar a comunidade científica na sua pesquisa e parar de negar a ciência", mostrando-se "perplexa" com as pessoas que se recusam a aceitar evidências científicas.

A série estreia-se numa altura em que o vírus altamente infeccioso está ativo e já matou 1.866 pessoas desde agosto de 2018, altura em que a República Democrática do Congo declarou o seu décimo surto de ébola nos últimos 40 anos. É o segundo surto mais mortífero do ébola desde que há registo.

"The Hot Zone" é uma série criada por James V. Hart, Brian Peterson e Kelly Souders, com estreia marcada no canal National Geographic Portugal a 22 de setembro.

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