Os smartphones ou os tablets não conseguem ganhar à velhinha televisão. Os adolescentes continuam colados ao pequeno ecrã e veem de tudo, de reality TV a séries tradicionais. Na altura em que uma das séries juvenis mais vistas da televisão portuguesa chega ao cinema, olhamos para o que andam os nossos jovens a ver na televisão.

«Morangos com Açúcar – O Filme» leva ao grande ecrã uma súmula das nove temporadas da série da TVI que acompanhou mais do que uma geração de adolescentes. Não foi a primeira série a olhar para a realidade liceal dos jovens em Portugal («Riscos» é apenas um exemplo de produção nacional que já o tinha feito na década de 90) e nem será certamente a última, agora que foi confirmado o cancelamento da série.

Mas os gostos televisivos dos adolescentes de hoje serão os mesmos de há uma ou duas décadas atrás? Uma coisa é certa, eles continuam a ver televisão. De acordo com um estudo de investigadores norte-americanos do início deste ano, com o título «Porque é que a Internet não vai matar a televisão», o consumo de televisão pelos adolescentes continuou a aumentar, mesmo com novas plataformas a entrar nas suas vidas.

Quatro horas por dia, é esse o total de horas que os jovens passam junto ao televisor. Isso, não quer dizer, de acordo com o estudo, que não passem tempo junto do computador, nos tablets ou nos smartphones, apenas significa que os novos aparelhos funcionam como complemento.

A grelha de programação dos «teens»

O debate sobre a qualidade ou pedagogia das séries de televisão consumidas pelos mais novos dá pano para mangas e não é de todo novidade mas, com a reality TV a somar cada vez mais audiências, particularmente num público-alvo jovem, é cada vez mais presente.

«Gossip Girl» foi criticada pela abordagem ao sexo na adolescência de uma maneira para muitos exagerada, «Family Guy» ou «American Dad» estão na mira pelo seu humor cáustico, e reality shows como «Keeping Up With The Kardashians» ou «Jersey Shore», que se tornaram sucessos de audiência e modelos acidentais para os mais novos, são tema de discussão frequente.

Um inquérito divulgado no ano passado, levado a cabo pela organização «Girl Scouts of the USA», inquiriu 1,100 jovens raparigas e chegou à conclusão de que, a maioria do que veem na televisão é percepcionado como realidade.

De acordo com os resultados do inquérito, oito em cada dez raparigas que assistem a reality shows como «Jersey Shore», «The Hills» ou até mesmo «American Idol» acreditam que estes programas são espontâneos e que nada é feito com recurso a um guião. E os números do mesmo estudo são claros, a reality TV veio para ficar: 47% das inquiridas diz assistir regularmente a esse tipo de programas, 30% admite vê-los algumas vezes e apenas 23% diz ver raramente ou nunca.

Apesar destes resultados, as tradicionais séries de ficção também estão na lista de favoritos. Na última edição dos Teen Choice Awards as grandes vencedoras foram séries como «Pretty Little Liars», sobre um grupo de amigas que luta para não ver os seus segredos expostos, «Teen Wolf», baseada no filme de 1985 com Michael J. Fox sobre um adolescente de liceu que se transforma em lobisomem, «Glee», o musical sobre um grupo de estudantes de liceu com problemas de popularidade, ou «Diários do Vampiro», nascidos da moda criada pela saga «Twilight».

No final, a verdade é que a distinção entre programas para adolescentes ou para adultos está cada vez mais esbatida. «Jersey Shore», por exemplo, é criada para um público-alvo dos 12 aos 34, e muitas séries criadas para uma audiência acima dos 18 anos captam espectadores bem abaixo dessa média.

Inês Gens Mendes

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