No âmbito do Dia Mundial da Rádio, que se comemora hoje, a Inforpress quis conhecer o percurso e a história de Steve Andrade, um locutor que se diz amigo de todos os seus amigos e um homem que gosta de lutar pelos seus sonhos.

O seu nome de batismo é António Carlos Andrade, um homem que nasceu no bairro de Achada Grande Frente, na Cidade da Praia, com deficiência visual e que muitos chamam de “Steve cego”, mas define a si próprio como “Steve, um cego eficiente”, que não obstante as limitações visuais, tem conseguido alcançar as suas metas.

Aliás, o nome Steve, conforme conta, foi-lhe atribuído nos anos 80 do século passado, quando participou no concurso “Todo mundo canta”, no Parque 5 de julho, isto porque na altura o mundo vivia, desfrutava dos sucessos do cantor americano Steve Wonder, que também tem deficiência visual, um nome que também passou a ser seu desde então.

Fazendo uma retrospetiva de como surgiu a sua paixão pela rádio, Steve, que também trabalha no Ministério da Justiça, lembra que a sua ligação à rádio começou bem cedo, um facto que na sua opinião é muito importante, por uma simples razão: nasceu e cresceu ouvindo rádio porque o pai já era amante da rádio e, mesmo sendo criança na altura, já tinha o seu próprio aparelho da rádio.

“Lembro-me que o meu primeiro rádio era um rádio de mesa daqueles tempos, que tinha quatro pés, e que ficava em cima da mesa. Mas depois evoluiu para um rádio que tinha não tinha FM, no qual era possível ouvir emissões na onda curta e média. O meu terceiro rádio era um rádio de luxo porque foi uma oferta de um holandês que esteve de missão em Cabo Verde na altura”, contou.

Conforme disse, a sua primeira experiência como locutor na rádio aconteceu como voluntário no jardim da Cruz Vermelha, onde teve a oportunidade de conhecer o técnico da Rádio Nacional Ricardino Neves, a quem acompanhava, todos os dias, à emissora para “espreitar” como é que se trabalha na rádio.

Um período que Steve considerou importante e que o possibilitou fazer amizades com os jornalistas e animadores da rádio e adquirir experiências que depois deram início à sua aventura como correspondente cultural da Rádio Nova, uma tarefa que desempenhou durante 10 anos.

Entretanto, a descoberta da magia que a rádio tem, enquanto meio de comunicação única e rápida, continua quando, a convite do falecido José Gonçalves, começou a trabalhar como locutor na Rádio Comercial, na Cidade da Praia.

“Para mim, estar na rádio e estar a interagir com os ouvintes é a coisa mais natural do mundo, é como estar entre amigos ou estar em casa, porque é uma coisa que faço com amor e simplicidade”, declarou.

Autor do programa “Secção da música”, um programa que destaca essencialmente a cultura, nas suas várias vertentes, Steve afirma que ao longo dos anos a sua grande satisfação é a oportunidade de partilhar momentos com vários artistas nacionais e poder levar aos ouvintes conteúdos “interessantes e de qualidade”.

Lamenta, entretanto, que devido aos problemas financeiros que as rádios privadas em Cabo Verde enfrentam, muitas delas não têm sabido cumprir os seus objetivos, salientando que este fator tem contribuído na falta de conteúdos não musicais na grelha de programação.

“A situação das rádios privadas em Cabo Verde é triste, porque não recebem qualquer subsidio, são obrigados a sobreviverem com o que conseguem ter, mas, entretanto, espero que quem de direito, que coloquem a mão na consciência e que deem uma atenção especial as rádios privadas que também tem tido um papel importante no país, apesar dos constrangimentos”, frisou.

Questionado sobre os projetos futuros, Steve afirmou que quer continuar a ter oportunidade de estar a interagir com os ouvintes e produzir o seu programa e continuar a proporcionar momentos bons e programas com qualidade e de interesse de todos.

O Dia Mundial do Rádio é comemorado a 13 de fevereiro, em homenagem a primeira emissão de um programa da United Nations Radio (Rádio das Nações Unidas), em 1946. A transmissão do programa foi em simultâneo para um grupo de seis países.

A data foi criada e oficializada em 2011, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O primeiro Dia Mundial do Rádio foi celebrado apenas em 2012.

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