De passagem por Cabo Verde para atuar com os Tabanka Djaz no Gamboa 2019, Sheila Semedo falou ao SAPO Muzika da carreira a solo e dos planos para o futuro.

Pode até soar a cliché, mas  desde pequena Sheila Semedo sonhava ser cantora. Recorda que aos 5 anos, cantava no jardim de infância. Não se ficou por aí e nesta terna idade participou e venceu o concurso “Pequenos Cantores”, que acontecia no parque 5 de Julho, na cidade da Praia, de onde é natural.

Mais tarde, já com 8 anos entrou para um grupo musical.  Voltou a participar no “Pequenos Cantores”aos 11, depois aos 14 anos e repetiu a proeza sagrando-se vencedora.

O bichinho da música continuou sempre presente. Assim aos 18 anos, quando partiu para estudar em Portugal, mais concretamente na cidade de Aveiro, Sheila juntou-se a uma banda de cabo-verdianos, os “Sabura CV”, como vocalista.

Recorda esta temporada como uma época feliz com várias atuações em Portugal.

Em 2013, já com um curso profissional feito, Sheila partiu para Lisboa, cidade onde a sua carreira na música veio a dar uma reviravolta. Um antigo colega da banda de Aveiro colocou-a em contato com a mítica banda Tabanka Djaz. Mal sabia que iria fazer parte da banda, como corista, até os dias de hoje.

Os dissabores da carreira a solo

Apesar de continuar a atuar com os Tabanka Djaz, em 2016, a cantora resolveu apostar numa carreira a solo. Mas nem tudo correu como previa.

Primeiro conta que foi enganada por um empresário bastante conhecido no mundo da música, em Portugal. Depois de ter gravado quatro singles e de ter perdido as poupanças que tinha, não conseguiu alcançar o que pretendia.

“Acabou por me aldrabar e perdi 50 mil euros com essa pessoa (…)  Quando viu que não tinha mais dinheiro, afastou-me”, recorda a jovem cantora que afirma ter ficado mesmo em baixo e entrado num periodo menos bom na sua vida.

“Acho que as pessoas não têm noção do que é uma vida a lutar por um sonho. Confiei e acabei por ser enganada. Não consegui alcançar os objetivos que pretendia. Mas continuei a lutar pelo meu sonho”, recorda.

Cerca de dois anos depois, seguiu-se uma nova tentativa, desta vez com um novo agente. Apesar de ter gravado um single, “Sou bem mais do que isso”, que também não correu como previtos.

A jovem não ficou feliz com o resultado final da parceria.  “Confiei demais e não tive sorte com empresários”, lamenta.

Mais à frente, explica que existe muito assédio no mundo artístico. “Sofri muito assédio. Digo isso porque há muitas mulheres que sofrem assédio (…) que são capazes de dar tudo para conseguir alcançar os seus sonhos. Só que eu nunca senti a necessidade de dar tudo porque este é um talento que tenho desde menina (…) nunca aceitei qualquer tipo de proposta”.

Aprendeu a lição e desta vez está a trabalhar de forma mais independente. Recentemente, apostou sozinha e lançou dois temas novos – “Vou te provar” (produzido pelo Khaly Angel) e “Mexer o Bumbum” (feito pelo Elji Beatzkilla).

Amante de dança, quer apostar em estilos mais ritmados como o afro reggaeton, funk e Coupe' Decale'.

Depois da atuação com os Tabanka Djaz no festival da Gamboa, ficou na cidade da Praia para promover mais o seu trabalho junto do público nacional.

“Desde os meus primeiros trabalhos tenho recebido bom feedback do mundo todo”, afirma e agradece o apoio dos fãs.

Mesmo apostando numa carreira a solo, a continuidade na banda guineense não está em causa. “Estar com os Tabanka Djaz foi a melhor coisa que me aconteceu na vida”.

Ao lado do grupo já visitou cerca de 30 países, conheceu várias culturas e subiu a palcos que nunca pensou que fosse possível. A atuação na Guiné-Bissau ficou gravada na memória. “Foi incrível”.

Dança sempre presente

A residir em Portugal há 12 anos, a cantora de 30 anos concilia a dança, como professora, com a música. Daí também a aposta num estilo musical mais dançante. Ambiciona conciliar as duas coisas, “apesar da música falar mais alto”.

“Quero fazer as duas coisas ao mesmo tempo e sei que consigo”.

Admiradora de artistas intemporais como o Ildo Lobo, mas também de Beto Dias, Grace Évora e Suzanna Lubrano, Sheila Semedo está aberta a novas colaborações. A jovem diz que gostaria de trabalhar com músicos de diversos estilos.

Para breve estão previstos temas com artistas mais jovens como Big Z Patronato,  C. James e Loreta, com este último a música já está quase pronta.

Motivação não lhe falta e para 2019 promete dar o melhor de si.