Conhecido no meio artístico como Jahknow, Jorge Abreu, é um dos poucos cabo-verdianos que escolheram um país distante como a Austrália para viver. De regresso a Cabo Verde após 14 anos, o músico atuou na última edição do festival da Gamboa, na cidade da Praia.

A residir na Austrália desde 2007,  Jahknow  lançou a Ras JahKnow, uma banda de reggae composta por 9 elementos dos mais diversos cantos do mundo, em 2010.

Com dois álbuns no mercado, "Jah Sta Li" e "Jah Sta Li” Dub, a banda tem atuado em vários palcos e festivais de renome e já recebeu vários prémios.

Há muito que o reggaeman cabo-verdiano alimentava o sonho de cantar em Cabo Verde, daí que recebeu o convite da Câmara municipal, via o produtor Gugas Veiga, com alegria.

Depois de 36 horas de voo (Hong Kong – Suíça – Portugal – Cabo Verde), o cantor regressou à sua terra natal onde já não vinha desde 2005.

Apesar de ter vindo sem a sua banda, o artista diz que esteve bem acompanhado em palco pelos Na Jam, conjunto com o qual ensaiou durante quatro dias antes da atuação no dia 19 de maio, no Gamboa Jovem.

“A recepção foi espetacular”, afirma o músico sobre a sua primeira apresentação em Cabo Verde. Diz aguardar novas propostas para apresentações no país e, quiçá, novas colaborações e cita alguns nomes como: Wilson Silva, da banda Na Jam, Blacka, Elida Almeida, para citar alguns.

Aberto a novos desafios, o músico adianta que  mesmo sendo um homem do reggae não se importava de trabalhar com outros géneros musicais. “O reggae é a minha identidade, mas posso fazer todo o tipo de música”.

A residir há mais de 10 anos na Austrália, o artista, que é vizinho de um artista plástico cabo-verdiano o Mito Elias, explica que a comunidade cabo-verdiana nesse país é relativamente pequena. “Em Melbourne somos uns 15, em Sidney são mais, mas penso que no total não somos mais do que 50 cabo-verdianos”.

Em terras estrangeiras, sente a responsabilidade de representar o seu país. Além de cantar duas músicas em crioulo no último álbum da banda, Jahknow afirma que leva sempre consigo a bandeira de Cabo Verde para os shows e explica aos presentes onde fica o arquipélago.

“Quando vêm ter comigo, falo de outros artistas cabo-verdianos (…) A Lura já atuou lá, a Cesária Évora também, ainda podemos ouvir músicas dela a tocar, às vezes”, diz o artista que acrescenta em tom de brincadeira que “a Cesária é uma espécie de “Bob Marley de Cabo Verde”.

A fazer um tour um pouco por toda a Austrália, o músico cabo-verdiano revela que a sua banda quer continuar a fazer música e a gravar alguns singles e vídeos novos, até porque atualmente gravar um álbum já não faz tanto sentido como há alguns anos.

“O álbum já não tem tanto valor. Preferimos fazer aos poucos alguns singles até porque o trabalho como artista independente não é fácil”, salienta.

“Perdi muita coisa. Agora não vou passar tanto tempo sem regressar”, esclarece Jahknow que estará em Cabo Verde até o dia 3 de junho e tem agendado um show na capital no dia 25 de maio, para depois atuar em Lisboa, no dia 4 de junho.

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