“Memória Azul” é este o nome do próximo álbum de Carlos Lopes, músico cabo-verdiano que reside em França. De passagem por Cabo Verde, o músico conversou com o SAPO sobre o novo trabalho previsto para o próximo ano.

Este será o segundo trabalho a solo do artista está previsto para 2020, sendo que o primeiro “Kanta pa Skece” ainda está ‘fresco’ já que foi lançado em 2017.

O novo trabalho terá 12 faixas da autoria de Carlos Lopes e apesar de, segundo o músico, trazer um registo mais moderno do que o primeiro e com sonoridades mais eletrónicas, traz uma herança do “Kanta pa Skece” - um mundo imaginário e a sua língua Bengué.

“Um país que inventei onde todos os homens têm orelhas azuis e as mulheres orelhas amarelas e a língua oficial é Bengué (…) é uma língua (onomatopaica) que os nossos ancestrais falavam antes de surgir o crioulo”.

Nesta sequência surge o tema “Si Di Lewa” que é uma espécie de fórmula mágica, “uma música para curar a alma”.

Carlos Lopes destaca ainda o tema “Di li 150 anu”, uma projeção de como será o país daqui a um século e meio.

As gravações de “Memória Azul” devem arrancar em setembro e o novo trabalho, que conta com a colaboração de três artistas, é produzido pelo próprio artista e por Gabriel de Pina Lopes.

Questionado sobre o título do novo trabalho, Memória Azul, Carlos Lopes responde que o título deve-se ao facto do trabalho falar da história de Cabo Verde, dos Rabelados, por exemplo, mas também das suas memórias pessoais no interior de Santiago. “Memórias do que ouvi e vivi em pequenino, do que tenho na memória, e também fala do passado de Cabo Verde”.

Focado ainda na divulgação do primeiro álbum, Carlos Lopes explica que foi este facto que acabou por atrasar o surgimento deste novo CD.

Em Cabo Verde para fazer alguns shows, Carlos Lopes atuou no festival “Nho Sor do Mundo”, em São Salvador do Mundo (Picos), interior de Santiago.

Hoje, dia 10, o músico atua no Palácio da Cultura Ildo Lobo, no Platô, show onde promete apresentar alguns dos temas do próximo álbum.

O verão será preenchido com shows na Europa, nomeadamente, em França, até agosto.

Atualmente a viver em Paris, o artista não exclui a possibilidade de viver em Cabo Verde. “Quem sabe depois de lançar o novo trabalho”.

Natural de Santiago, Carlos Lopes vive em França desde os 10 anos e dedica-se à música desde a adolescência. Formou um grupo de RnB, teve aulas de canto, para depois aos 18 anos entrar para o Conservatório de Música, primeiro para ter as aulas de canto, depois para aprender a tocar piano.