Carlos Andrade, que usa o pseudónimo Artolas nas redes sociais, contou à Inforpress que foi em 2009 que teve a ideia de fazer os seus próprios vídeos de humor, retratando a vivência dos cabo-verdianos.

“Surgiu dum gajo que não tinha nada para fazer. Eu comecei a ver vídeos na Internet e pensei que também poderia fazer algo do tipo, baseando na minha experiência e foi isso que eu fiz, comecei a ver vídeos e adaptei à cultura cabo-verdiana”, contou.

Inicialmente, os vídeos eram feitos em português, mas, a partir de 2014, optou-se por gravar na sua língua materna e desde lá com a receção que teve e por se sentir mais à vontade, decidiu continuar a gravar em crioulo.

Com os seus vídeos de um minuto ou cinco, publicados no Facebook, onde tem mais de 57 mil seguidores e no seu canal YouTube, com mais de 26 mil subscritores, este humorista, que vive em Portugal, tem conseguido levar o humor e muita gargalhada aos cabo-verdianos, no país e na diáspora.

“A receção está a ser boa, aliás, mais do que eu esperava, e mais do que eu achava que merecia, porque às vezes não temos noção de como as coisas se propagam fora do nosso quarto, onde eu faço os meus vídeos” disse.

Mesmo com poucos meios, uma vez que é através do seu telemóvel que grava os vídeos, Carlos Andrade afirmou que não é preciso ter uma máquina de grande qualidade para fazer este trabalho, mas sim “basta ter vontade”.

Neste sentido, aconselhou os jovens a aventurarem-se e a fazer isso com amor e paixão, mas sem esperar nada em troca, isto é, o lucro.

Segundo disse, apesar de estar nessas andanças desde 2009, somente em 2018 é que ganhou com o humor, quando fez o seu primeiro show.

Recentemente, o humorista esteve em Cabo Verde para participar num Stand Up Comedy Live, conjuntamente com os 3 Tchokoterus, algo que considerou ter sido um “grande desafio”.

“Foi uma experiência, lá está, que eu nunca fiz, uma coisa ao vivo e eu não sabia que havia tantas pessoas que me apoiam em Cabo Verde, por isso fiquei contente”, sublinhou.

Questionado de onde vem tantas ideias criativas, entre risos e meio a brincar, Carlos Andrade disse que teve a sorte de ter a cabeça cheia de coisas que “não prestam”.

“As vezes, a ideia vem do nada. Estou no comboio, a lavar louças ou a tomar banho, vem uma ideia e tomo notas no telefone e depois ponho em prática”, revelou.

Por ser o humor apenas um hobby, pois Carlos Andrade trabalha com conteúdos digitais na SIC, nem sempre tem tempo para dar vida a todas as suas ideias.

Entretanto, assegurou que vai continuar a fazer aquilo que lhe dá prazer, isto é, mais vídeos e mais Stand Up Comedy, nas suas horas vagas.

Falando ainda de projetos, avançou que está a preparar um vídeo “Djubensu Mendi: O Fim”, numa parceria com o ator Anilton Levy , do Tarrafal de Santiago.

“Eu vou acabar com esta personagem de Djubensu Mendi. Por isso, vai ser uma coisa engraçada que eu fiz com o Anilton Levy e vai ser interessante eu voltar ás raízes e acabar com a personagem, duma forma engraçada, ou seja , terra-terra”, adiantou.

Carlos Andrade foi um dos apresentadores da IX edição da gala dos Cabo Verde Music Awards, que teve lugar no passado sábado, dia, 04, na Assembleia Nacional, Cidade da Praia.

“Gasta águ na kasa kabuverdiano (Gastar água em casa de um cabo-verdiano)”, “Oito maneiras de irritar o filho”, “10 maneiras de irritar as mães cabo-verdianas”, “Divórcio Português vs Divórcio Cabo-verdiano”, “Kompra Ku mai berdianas” (fazer as compras com uma mãe cabo-verdiana), “berdiano na merca” (cabo-verdiano na América), “estilista cabo-verdiana banida da moda Lisboa”, são alguns dos seus vídeos divulgados nas redes sociais.

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