Angélica Vaz, coordenadora e locutora da estação Rádio Comercial falava hoje em declarações à Inforpress a propósito das comemorações alusivas ao Dia Mundial da Rádio, que se celebra a 13 de fevereiro, afirmou que a rádio continua a desempenhar um papel importante na sociedade cabo-verdiana nos dias de hoje, não obstante todas as transformações ocorridas no domínio da imprensa em geral.

Para esta responsável, que há quinze anos trabalha na Rádio Comercial – onde considera hoje como se fosse sua casa -, lamenta que as rádios privadas no país e a Rádio Comercial em particular, “não tenham conseguido ultrapassar os problemas financeiros e, deste modo, promover um serviço de excelência”.

Falando da Rádio Comercial, realçou que o que a tem ajudado a “respira” at6é agora, tem sido a “força de vontade dos seus técnicos” que, não obstante os obstáculos “que são muitos”, não desistiram de lutar e continuam a acreditar “num amanhã melhor”.

“Temos vários projetos que gostaríamos de colocar em prática, mas não conseguimos, devido a problemas financeiros, e deste modo não temos como afirmar, enquanto privados, que estamos por exemplo num nível de 75% de realização e concretização dos objetivos (…), ainda não chegamos ao nível que gostaríamos e estamos longe de alcançar a meta desejada”, afirmou, indicando que “a situação da Rádio Comercial é crítica”, isto porque, sustentou, as dívidas não quitadas por exemplo com as instituições do Estado são muitas, e se alguma dessas instituições decidir suspender os serviços que têm vindo a prestar á estação “será mesmo o fim da Rádio Comercial”, desabafa.

Conforme revela Angélica Vaz, a Rádio Comercial tem conseguido se manter de pé com a angariação do básico, isto é, através da realização de alguns spots radiofónicos e contratos de parcerias institucionais, sublinhando que esta situação não tem sido fácil principalmente quando as dificuldades são permanentes e os meios de solucionarmos os problemas são escassos.

Outro fator que de acordo com Angélica Vaz tem permitido superar ainda que de forma simbólica, é a interação com os ouvintes, a amizade e confiança que se vai construindo paulatinamente e poder saber que têm conseguido causar “impactos positivos” na vida das pessoas.

A radialista defende, por outro lado, que não obstante as dificuldades, a aposta da direção tem sido dar continuidade aos programas e que cada emissão seja possível dentro das possibilidades (…) e que “possamos trazer alguma novidade e conteúdos com qualidade”, vincou, apontando a falta de um programa juvenil, infantil e programas de debates como pontos a ajustar na estação.

Instado pela Inforpress a fazer uma avaliação do estado atual das rádios privadas em Cabo Verde, Angélica Vaz foi cautelosa, afirmando que, por não conhecer a verdadeira situação das restantes rádios não pode afirmar se todos estão com os mesmos problemas, (…) mas ressaltou que tudo indica que o cenário é igual para todos, ou seja, todos enfrentam dificuldades de sustentabilidade financeira.

“Não posso afirmar taxativamente que todas as rádios privadas no país estão na mesma situação, porque há sempre uma ou outra que possa estar melhorzinha (…), mas o panorama e a realidade indica que todas as rádios privadas enfrentam constrangimentos financeiros, o futuro é-lhes incerto, não temos ninguém a querer lutar ou fazer alguma coisa pelos privados”, enfatizou, apelando neste sentido a uma consciencialização do papel e lugar que as rádios privadas desempenham na sociedade cabo-verdiana.

O Dia Mundial da Rádio é comemorado a 13 de fevereiro em homenagem à primeira emissão de um programa da United Nations Radio (Rádio das Nações Unidas), em 1946. A transmissão do programa foi em simultâneo para um grupo de seis países.

A data foi criada e oficializada em 2011, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O primeiro Dia Mundial do Rádio foi celebrado apenas em 2012.