No dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Inforpress conversou com esta cantora e intérprete cabo-verdiana, residente na Cidade da Praia, mas que viveu boa parte da sua vida em Portugal, por causa dos estudos, e, onde também teve a oportunidade de intensificar o contacto com este estilo musical luso.

Filha do poeta, pintor e combatente da Liberdade da Pátria, Osvaldo Azevedo, e neta do poeta Claridoso Pedro Corsino Azevedo, Ana Azevedo desde cedo viveu no mundo da arte e da música.

Segundo disse em declarações à Inforpress, sempre teve instrumentos musicais em casa, porque o seu pai tocava violão e violino e a irmã tocava teclado, por isso foi fácil para ela começar a cantar e a tocar clarinete.

O amor e a paixão pela música foi crescendo e Ana Azevedo resolveu criar uma banda no Liceu, que acabou por ser extinta quando foi fazer os estudos superiores em Portugal, precisamente, na área de Ensino da Música para Ensino Básico.

Ainda em Portugal, onde viveu 12 anos, criou uma outra banda em que tocavam música de Cabo Verde e do mundo.

Ao regressar ao país, Ana Azevedo criou raízes na ilha de São Vicente, onde começou a pôr em prática os ensinamentos na área da música, dando aulas para crianças de grupo coral, ao mesmo tempo, que focava na sua carreira a solo.

A artista informou que teve muita influência de músicas clássicas ou eruditas e que gosta muito de cantar bolero, valsa, morna, fado, entre outros.

Entretanto, a grande paixão desta cantora cabo-verdiana é o fado, um estilo musical português, geralmente cantado por uma só pessoa e acompanhado por uma guitarra clássica e uma guitarra portuguesa.

O contacto com o fado iniciou na infância e, segundo disse, foi uma das heranças que o seu pai a deixou.

“Comecei a conhecer alguns fados de criança e é claro que de imediato não há aquela ligação, mas depois como fui viver para Portugal, passei lá 12 anos, tive muito contacto com a música portuguesa, inclusive com o fado”, contou.

O seu pai, prosseguiu, foi sempre o seu talismã, a sua guia em termos de incentivá-la a expor para fora todos os seus sentimentos, através da música.

Amália Rodrigues, Hermínia de Sousa, Carlos do Carmo, Ana Moura, Mariza, Carminho, Raquel e muitos outros fadistas portugueses são as grandes referências de Ana Azevedo.

Para a mesma fonte, este estilo é algo íntimo, genuíno, algo que toca a alma e que transmite muito a personalidade e a cultura de um artista.

“Gosto de cantar, independentemente de ser uma opção, ou um estilo, gosto de interpretar músicas que me tocam a alma e movem-me como o fado e a morna”, salientou.

Com uma paragem na carreira, devido à maternidade, actualmente, a residir na Cidade da Praia, Ana Azevedo quer voltar a explorar mais essa sua tendência e paixão pelo fado.

Neste sentido, tem vindo a preparar para brindar os praienses com um concerto intimista, mas ainda sem data.

Questionada para quando um álbum com canções mais intimistas, a cantora disse que, por enquanto, não está a pensar nisso, porque é necessário ter um projecto sólido e com músicas inéditas.

“Quando mais experiência tiver e quando mais tivermos um projecto sólido, que vale a pena, com música inédita, assim que seja possível, será. Hoje em dia sinto-me que estou muito mais madura para uma carreira a solo ou para fazer projectos musicais ligados ao ensino”, frisou.

Entretanto, até lá, informou que está a concentrar-se num projecto musical voltado ao público infanto-juvenil, isto é, já tem preparado várias composições que vão integrar um CD voltado para esta camada.

A paixão por crianças, explicou, é porque em Mindelo teve bastante contacto com crianças, onde ministrou várias aulas e oficinais, dando-lhe oportunidade de compor e de pôr em prática as suas composições voltadas para as crianças.

Na sua opinião, é necessária uma aposta forte na educação musical para as crianças, e os artistas cabo-verdianos devem apostar mais em compor músicas para esta camada, uma vez que, justificou, há uma “fraca produção” nesta área.

“Penso que a educação musical começa em preparamos as crianças para que elas possam seguir uma carreira musical, sair com uma boa base musical, tanto a nível de instrumentação como a nível vocal.

Ana Azevedo disse ainda que tem a preocupação de ver os jovens músicos com mais valências, com novas formas de fazer música, não só sendo artista ou cantor, mas sim que estejam aptos para fazer coros e para trabalharem com software musical.

Neste sentido, defendeu que há necessidade de se fazer mais formação para os mais jovens no domínio da música.