O compositor natural da ilha Brava, mas que reside nos EUA, em entrevista à Inforpress, em que respondeu a questões enviadas via correio electrónico, a partir de Portugal onde se encontra por esses dias, acautelou, no entanto, que “antes de tudo” há que “juntar as mãos e clamar aos céus” para que esta distinção se concretize na reunião do Comité Intergovernamental de Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, que deve reunir-se em Bogotá, Colômbia, entre 8 e 14 de Dezembro de 2019.

Sobre a distinção, “a concretizar-se”, disse regozijar-se com ela, uma vez que se reconhece um conjunto de práticas, tradições, expressões, sentimentos e representações da cultura cabo-verdiana, transmitida de geração em geração, que, “naturalmente e definitivamente”, promove a identidade do cabo-verdiano no cenário musical e cultural da humanidade.

“Com a concretização desta distinção, torna-se mais fácil e reconfortante a nossa eterna luta pela salvaguarda da cultura tradicional da nossa terra”, reforçou.

Vuca Pinheiro vai mais longe na defesa da morna e aponta que os representantes governamentais, os promotores culturais, os compositores, os autores, os intérpretes e demais instâncias ligadas à cultura musical cabo-verdiana precisam pensar “mais seriamente” no assunto e não permitir que essa modalidade seja sufocada por “modismos” que não são mais do que “tradicionalismos estrangeiros” transladados para o ambiente musical do arquipélago e identificados como “música moderna”.

“A verdade é que o empobrecimento do ensino em Cabo Verde deixa margens a que se eleve o que é estrangeiro, relegando para um segundo plano o que é verdadeiramente nosso”, declarou.

Ademais, para o compositor e músico, a morna tem toda uma técnica que precisa ser “estudada, sistematizada e perpetuada no inconsciente do cabo-verdiano”, seja em forma de escolas formais de música tradicional, no currículo escolar, em programas televisivos ou em concursos musicais, entre outras.

“Se não fizermos isso, estaremos apostando no desaparecimento paulatino e contínuo de toda uma técnica desenvolvida por autênticos arautos da música tradicional cabo-verdiana”, precisou.

Entre eles, Vuca Pinheiro, na hora da consagração da morna, prefere lembrar dois nomes, que “ficaram para sempre ligados a esse compasso dolente e poesia ímpar” que são Eugénio Tavares e Fernando Quejas.

“Não desmerecendo outros pilares da nossa morna, se não houvesse essa primeira pedra o edifício jamais ostentaria essa honrosa distinção”, declarou Vuca Pinheiro à Inforpress, reconhecendo, embora, que toda a comunidade musical adicionou, de uma forma ou de outra, “um grãozinho de areia à essa imensa praia” que é o folclore musical cabo-verdiano, e particularmente a morna cabo-verdiana.

“Por conseguinte, entre homenagear autores e intérpretes de hoje e a geração que realmente desbravou essa então trilha que se transformou em avenida, prefiro lembrar esses dois nomes”, sintetizou Vuca Pinheiro.

A candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade recebeu quarta-feira, 07, a indicação positiva prévia, decisão que será ratificada pelo Comité Intergovernamental de Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, que deve reunir-se em Bogotá, Colômbia, entre 8 e 14 de Dezembro de 2019.

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