“A ideia é lançar um episódio por mês, uma música por mês e no final do ano teremos um álbum. Esta minissérie é uma ficção que eu vou criando, onde posso colocar uma coisa ou outra da minha vida, porque preciso que as pessoas sintam que é real, mas onde há muita coisa que é pura ficção. Quero mostrar como é a vida de um artista. Vou deixar algumas mensagens subliminares durante toda a série e os mais atentos vão aprendendo. Para te tornares um músico de sucesso, o talento não é tudo.”, explicou em entrevista ao SAPO.

A celebrar 10 anos de carreira e depois de ter fechado um dos ciclos mais importantes da sua carreira com a tour do álbum King CKWA, C4 Pedro apresenta-nos um novo heterónimo, uma outra faceta do homem e do artista.

“Estes nomes representam fases diferentes da minha vida. Têm muito a ver com os objectivos que traço e só paro quando dá certo.

"King CKWA surgiu num momento em que eu precisava afirmar-me como alguém que chegou para ficar e como alguém que no music hall PALOP e africano chegou para ocupar um espaço. Há coisas na vida que não nos são dadas, nós temos que as arrancar e o King CKWA foi isso. Depois, chegou uma fase em que achei que isso já estava claro para África. Fui crescendo, fui ganhando maturidade e senti que era o momento de ser um bocadinho mais Gentleman.”

Mas quem é este Dom Pedro que agora surgiu?

“Dom Pedro é um senhor mais pausado, mais sereno, que já percebeu qual é o seu caminho, o que fez no passado, tirou lições disso, e agora está muito mais maduro. Não é só um artista, é muito mais do que isso.”

O ano de 2017 trouxe uma surpresa determinante. C4 foi considerado uma das 100 personalidades mais influentes de África pela revista New African, na categoria Arte e Cultura, uma revista mensal pan-africana líder de vendas, com mais de 45 anos de existência e que se tornou um apoio vital para aqueles que procuram um conhecimento mais profundo da realidade e desafios do continente africano.

De repente, lá estava C4 Pedro entre Presidentes, grandes empresários, activistas ou atletas, numa das edições onde houve mais novidades, sendo a categoria de Arte e Cultura a que mais contribuiu com novos nomes. Um feito que o cantor encarou como uma wake up call.

“Fui notando o impacto que tenho na vida de outros artistas, em muitos trabalhos, seja ao nível musical ou mesmo da performance. Então, se tenho o poder de influenciar assim outros músicos, posso tentar fazer muito mais e influenciar pessoas que nem sequer estão neste ramo de forma positiva.”

New African (capa)

Num continente tão vasto e com tanta e tão rica produção cultural, C4 Pedro acredita que não foi apenas a sua música que se fez notar, mas o que está para além disso.

“Na verdade, influencias com a tua música apenas nos primeiros anos da tua carreira, quando és um artista novo, a tua música é nova e a tua musicalidade é nova. Depois, já não olham só para o teu trabalho como artista, mas querem saber mais sobre de ti. Acredito que é nisso que as pessoas estão mais focadas hoje, quando olham para o C4 Pedro. Não é o artista que alimenta a pessoa, é a pessoa que alimenta o artista e é mais nesta pessoa que estou focado.”

“Na verdade, tu influencias com a tua música apenas nos primeiros nãos da tua carreira. Depois, já não olham só para o teu trabalho. Querem saber mais sobre de ti."

Foi para esse homem que vem antes do artista que C4 cantou nos primeiros anos do seu percurso. Ele era o seu público, era a pessoa que queria agradar, apenas com um objectivo: fazer música com qualidade e o álbum ‘Lágrimas’ foi o resultado.

“Nessa altura eu vivia na Bélgica e estava completamente desligado do mundo. Mas uma certeza eu tinha, aquilo que estava a fazer era boa música, porque me tocava a mim e às pessoas mais próximas. Acreditei naquele álbum, mas quando o levei para Angola, as pessoas não estavam a perceber qual era o problema “desse jovem”. (risos) Quando lancei o primeiro álbum não tinha fãs, não tinha público, então o que fiz foi cantar para mim. Quando lancei o ‘Calor e Frio” já estava numa outra fase. Estava mais ousado, já tinha mais confiança e já sabia para quem estava a cantar.”

De uma sonoridade muito particular, com uma melancolia muito presente e um sotaque muito carregado, C4 passou para uma música sexy para as rádios e as pistas de dança, numa mudança que foi acontecendo a vários níveis.

“Quando comecei a entrar em Portugal com o ‘Bo tem mel’, que ainda tem aquele sotaque bem carregado, não é que tenha sentido que as pessoas queriam que eu reduzisse o sotaque, mas senti necessidade de comunicar melhor. Sabia que se não carregasse tanto no sotaque os angolanos também haveriam de perceber, mas os portugueses, moçambicanos, guineenses, etc, perceberiam ainda melhor. Então, fiz isso para que as pessoas pudessem perceber melhor a minha música.”

Agora que encontrou o seu lugar, o trabalho é de amadurecimento e novos desafios dentro do seu universo musical. ‘The Gentleman’ segue essa linha de trabalho.

“Dizer que estou a fazer algo diferente é quase como dizer que quero cantar para outras pessoas e isso é algo muito perigoso."

"O que eu quero é dar seguimento ao que já tenho estado a fazer, colocar outras vozes sonantes da música internacional a casarem-se com a minha, saber o que as pessoas têm andado a ouvir.”

O C4 das músicas profundas e das baladas convive pacificamente com o C4 Pedro do afrobeat nos seus trabalhos discográficos e foi também por isso que decidiu fazer deste álbum uma verdadeira compilação de músicas. Uma a uma, as pessoas vão poder conhecer e criar uma relação com os temas.

“Quem tem estado a ouvir as música percebe que estou a começar pelas baladas. Escolhi lançar uma música por mês porque de outra forma existem músicas que nunca chegam a ser ouvidas. As pessoas correm logo atrás dos grandes hits, do que toca nas pistas. Muitas vezes me perguntam pelas baladas, dizem que já não as canto, mas não é pelo facto de eu não as estar a cantar ao vivo, que essas músicas não existem.”

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