Solange Cesarovna falava em declarações à Inforpress, por ocasião da celebração do Dia Nacional da Morna, data instituída um mês antes de Cabo Verde apresentar o processo de candidatura à comissão de avaliação da Unesco do género musical a Património Imaterial da Humanidade, 31 de março, cujo resultado deverá ser anunciado em dezembro de 2019.

Este dia é uma homenagem a Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B. Léza (1905 – 1958), que nasceu a 03 de dezembro, e considerado um dos maiores compositores do país do género musical.

Para esta amante da música tradicional, celebrar, pela primeira vez, o Dia Nacional da Morna, significa “mais união” à volta deste género que é considerado o embaixador da música cabo-verdiana no mundo.

Este dia, realçou Cesarovna, serve para refletir sobre como é que vai a música tradicional de Cabo Verde, como é que está a morna e como fazer para que este ritmo musical “possa brilhar” e ser “abraçado por todas as gerações e pela juventude”.

“É um dia para celebrarmos este género musical e, ao mesmo tempo, celebrar todos os que de uma forma ou de outra contribuíram para que, realmente, a morna seja um género emblemático, dotada de uma beleza única e peculiar e que consegue muito bem traduzir a alma do povo cabo-verdiano”, afirmou.

Solange Cesarovna é da opinião de que é necessário “honrar” os autores e criadores da morna, porque é através das suas criatividades e de toda a dedicação e transpiração que esse género consegue ser “expoente máximo da cultura cabo-verdiana”.

Para além de destacar o contributo dado pelos grandes intérpretes da morna, como Cesária Évora, Bana e Ildo lobo, a intérprete das composições de Eugénio Tavares enalteceu o engajamento da nova geração em continuar a promover a morna e a internacionalizar a cultura cabo-verdiana.

“É com alegria que constato essa mudança a favor de mais jovens abraçarem a música tradicional de Cabo Verde e a morna. Estão a ser o promotor da bandeira do país, através da música”, regozijou-se a mesma fonte, para quem a morna “não pode ser imposta”, mas sim é algo que “toca e inspira genuinamente” quem abraçar este ritmo.

Entretanto, sublinhou que um dos fatores que tem deixado os jovens “menos excitante” em fazer carreia à volta da música tradicional cabo-verdiana está ligada à falta de palcos.

Conforme disse, atualmente constata-se a presença de outros géneros e inclusive da música internacional com mais destaque nos eventos culturais do que a morna.

“Volto a apelar a todos os promotores culturais de Cabo Verde para que nos diferentes e emblemáticos festivais feitos ao longo do ano e em outros palcos mais intimistas, que façam da morna e a música tradicional, não mais um género a ser apresentado, mas um género prioritário e com uma presença tão forte, assim outros géneros”, disse.

A cantora apelou ainda que se faça “um equilíbrio”, para que a música tradicional tenha “um espaço igual ou superior” nos palcos e nas programações anuais culturais realizados em Cabo Verde.

Para celebrar a efeméride, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural, promove hoje uma conferência intitulada “Pensar B.Léza e a Morna” no salão de Banquetes da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia.

Para Solange Cesarovna, este evento vai permitir aos mais novos conhecer o legado deixado pelo Francisco Xavier da Cruz “B.Léza”  e vai contribuir ainda para que B.Léza comece a fazer parte do repertório da juventude.

Ainda para assinalar a data está prevista uma exposição fotográfica sobre B.Léza, intitulada “Morna em Si” e atuação  de Solange Cesarovna.

A artista promete brindar os presentes com algumas mornas de compositores emblemáticos como B.Léza e Eugénio Tavares e algumas mornas inéditas.