Redy Lima falava no painel “Mistério da criação insular”, integrado nas programações da quarta edição da Feira Nacional de Artesanato e Design de Cabo Verde (Urdi 2019), que teve a participação do músico Vasco Martins e do pesquisador Guy Massart.

Segundo o sociólogo, o ritmo que se chama actualmente de ‘rap’, tem ligação da sua “avó” Griot, da costa ocidental africana, que chegou em Cabo Verde num barco escravo e que originou o finasson.

Para Redy Lima, o rap passou por Cabo Verde antes de chegar nos Estados Unidos e quando regressou no processo de reglobalização nos anos 80, com a dança, e 90, com música, voltou em forma americana.

“A fonte do ‘rap’ cabo-verdiano é o rap americano. Agora, há um processo porque para chegar aos Estados Unidos passou para cá. Aqui é o finasson, no Senegal é o ‘tassu’ e na Jamaica deu origem à música dos Rude Boy, banda representada por Bob Marley e depois chegou à musica Broads, através do Jamaica,” explicou.

Por causa disso, para o pesquisador, o ‘rap’ acaba por ser “no fundo um neto do Griot e um filho do finasso”.

“Nácia Gomes fazia ‘rap’ e a prova disso hoje em dia é que tem experiências interessantes do Princezito com Ga Pesada e há pessoas que cantam ‘rap’ utilizando ritmos de Orlando Pantera”, ajuntou a mesma fonte para quem isto também aconteceu no Senegal com a música ‘tassu’ que equivale ao finasson em Cabo Verde.

O músico Vasco Martins também discorreu no mesmo painel e fez um paralelismo entre a estética que existe na capa dos seus discos e a capa de discos de outros artistas no exterior.

Como exemplo, citou o seu álbum ˈPara Além Da Noitˈ, lançado em 1984 e o disco ˈA Noiteˈ de José Branco, lançado em 1985 em Portugal.

Para o instrumentista outro disco que fez parte da sua cultura foi ˈThe Dark Side of the Moonˈ, da banda britânica Pink Floyd, que, defendeu, ostenta a capa “mais famosa de sempre da banda”.

O antropólogo Guy Massart disse que tem notado na sua pesquisa a importância repetitiva de canções populares.

Também defendeu que a música popular “mobiliza o artesanato na fabricação de instrumentos” e considerou a música como um “motor de criação artística”.

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