Assim promete ser o futuro deste jovem rapper, que começou a dar os primeiros passos neste estilo musical ainda na sua ilha natal, São Nicolau, com apenas 14 anos, isto em 2004. Um percurso que, como disse à Inforpress, o fez passar por alguns desaires iniciais e até pensar em desistir da música.

Contudo, como um “bom cabo-verdiano e com genes de Chiquinho” optou por não ceder e contornar os pedregulhos encontrados pelo caminho. Uma persistência que terminou na divulgação de um mix tape “Literatura sonora”, em 2008, e em 2015, o duplo EP “Cara e Coroa”.

Mas, com certeza, seria o álbum “Retardado do Futuro”, lançado em 2017, que faria o nome de Revan Almeida sonar no mundo musical a nível nacional.

“Graças a aquele trabalho, pisei o palco da Baía no ano passado, estive em várias rádios, estive no palco com Baú e Jennifer Soledad ganhou respeito pela música que é resposta ao Jack”, considerou o rapper, lembrando uma “participação improvisada” que teve num show intimista da cantora cabo-verdiana, em São Vicente.

Neste momento, prepara o segundo álbum, que por agora não quer revelar o nome, mas levanta um pouco o véu à Inforpress, dizendo lembrar uma expressão crioula, e que conta colocar nas ruas até Novembro, mês do sexto aniversário da sua produtora independente “Kaza Preta”, fundada com amigos, em São Nicolau.

“Esta produtora foi um divisor de águas, porque antes éramos tratados de forma diferente e só conseguíamos participar nos festivais, em São Nicolau, através de colectivos, mas depois de Kaza Preta, passaram a valorizar o nosso trabalho, conseguimos o nosso espaço e até negociar cachés”, explicou Revan Almeida.

O novo trabalho, ajuntou, deverá ter 16 faixas, remetendo todas para a fusão com o tradicional, tanto na musicalidade como na temática, que considera ser o futuro do rap crioulo.

“A ideia é manter a essência o rap e depois ir buscar a música tradicional para o reforçar”, reiterou, confirmando que alguns rappers já tentaram, mas,” acabaram por tirar a agressividade do rap, direccionando muito para um lado muito acústico”.

“Acredito que isto vai agregar muito valor ao nosso rap, ir beber nas raízes e identificar os pontos fortes do tradicional. Podemos criar um diferencial, que vai nos destacar em relação a outros rap feito em outras partes”, considerou, com a proposta de chamar a atenção do público jovem e dos menos jovens para esses dois estilos, que são de Cabo Verde.

Por agora, o rapper já aguçou o apetite dos seus fãs com dois singles divulgados, “5775”, que conta um pouco da sua história e de independência de Cabo Verde, bebendo do batuque e “Ba dál na Rádio”, que fala de exibicionismo e viver só da aparência, através dos ritmos da coladeira.

E promete até finais de Agosto o lançamento de um terceiro, inspirado na mazurca – estilo que identifica os sanicolauenses como ele – que está na finalização do videoclipe.

Entretanto, o projecto “mais acarinhado” é o lançamento do álbum, que deseja fazer no conceito `Rooftop concert´, concerto no terraço.

“É para que seja algo diferente e, coincidência, esta era de covid pode ajudar um pouco, entre aspas, porque as pessoas ainda estão com receio de estar em espaços fechados”, salientou, com a certeza das receitas reverterem a favor da pediatria do Hospital Baptista de Sousa, pelo trabalho feito durante uma “situação difícil” por que passou o filho de apenas um ano.

Revan Almeida, contudo, confirmou não ter deixado para trás o seu cunho político, que vem neste trabalho para “bombar”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.