No Dia Mundial do Compositor, que se celebra hoje, a Inforpress conversou com este músico e compositor, natural da ilha de São Nicolau, mais propriamente do Canto Fajã, mas residente no Tarrafal, conhecido por tocar em bares e restaurantes e compor temas musicais tradicionais e de Carnaval.

Segundo disse, desde tenra idade teve contacto com a música no seio familiar, onde aprendeu a tocar guitarra com um irmão mais velho e a partir daí desenvolveu o seu talento como autodidacta e aprendeu a fazer composições.

Ao tornar-se adulto, tocava roque e kizomba, mas começou por apostar fortemente na música tradicional e guitarra a solo, porque observou que as pessoas pouco ouviam este estilo que estava quase “desprezado”.

“Ouvia as músicas de Humbertona, Taninho e Luís Rendall e reparei que as pessoas davam pouca importância a este estilo. Foi assim que adotei a música tradicional para como forma de valorizar a nossa cultura, não o deixar morrer e dar o meu contributo na música cabo-verdiana,” enfatizou.

Para o artista, uma das “grandes dificuldades” que os compositores enfrentam no seu dia-a-dia é trabalhar “sob encomenda”, sobretudo, para quem gosta de escrever por inspiração, uma vez que seu trabalho é essencialmente espontâneo e “não programado”.

Exemplificou que quando chega a época do Carnaval “tem que fazer composições e buscar inspiração” e, nesta época, explicou, costuma fazer três a quatro composições, num único mês, para os diversos grupos carnavalescos.

Para não defraudar as expectativas, esforça-se ao máximo para poder atingir o seu objectivo que é “agradar a todas as pessoas”.

O artista lembrou ainda que a execução de uma composição nem sempre é fácil, sobretudo fazer o casamento entre a letra e a melodia.

“ Muitas vezes se estás inspirado podes fazer uma música em um dia, duas horas, ou ainda passar um mês a escrever parte a parte uma composição” explicou.

Segundo o artista, deveria haver “maior reconhecimento e valorização” do compositor, aquele que passa “noites em branco” na criação de seu trabalho.

Na sua observação valoriza-se mais quem interpreta do que quem cria e, no seu entender, encontrar um produto pronto e acabado é fácil. “Difícil é criar”, concretizou.

No entanto, congratula-se com o trabalho que a Sociedade Cabo-verdiana da Música tem vindo a fazer em prol da música cabo-verdiana para que os compositores possam tirar “maior proveito” do seu trabalho, pagando os direitos autorais.

A nível da música cabo-verdiana, o artista perspectiva que o maior desafio que os compositores têm de agora em diante é “pegar na morna” para fazer mais composições contribuindo, assim, para que a sua elevação seja justa.

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