O evento, organizado pela Câmara Municipal de São Lourenço dos Órgãos em parceria com a Zany Confecções, no âmbito das festividades do Dia do Município e santo padroeiro São Lourenço dos Órgãos e que teve como palco o polivalente da cidade de João Teves, inicialmente previsto para principiar a partir das 22:00 teve um atraso de mais de uma hora.

Mesmo com pouca presença dos festivaleiros, a “prata da casa” Adilson Reis fez a abertura por volta das 23:30, depois da animação do DJ Actor, cuja continuidade foi dada pelos DJ Fabhiza, Luck Lopes, Afroblend e Tubaron, nos intervalos de troca dos artistas no palco e desfile de moda.

Ao artista laurentino que ao longo dos 20 minutos apresentou um repertório marcado pela música tradicional cabo-verdiana, seguiu-se Romeu de Lurdis que num formato acústico (voz e guitarra) cantou, de entre outras músicas, “Fera na Sucupira”, “Amargura”, “Txitxaru Fresku”, “Amoransa”- que dá nome ao seu primeiro trabalho discográfico – e ainda “Mudjer” e encerrou a sua participação ao som do tema “Vida di Studanti”, tema escolhida pelo público.

Durante aproximadamente 40 minutos, o artista praiense que dá o seu primeiro concerto naquele município do interior de Santiago mostrou-se satisfeito por ter participado neste certame, onde conseguiu encantar e cativar o público, sobretudo o feminino.

Seguiu-se a actuação de mais um talento local Ravy de Santa que em mais de 30 minutos e com o recinto “praticamente cheio” além de cantar as músicas conhecidas do grande público laurentino apresentou o seu mais novo single numa parceria com o MC Prego Prego intitulado “Pikapau”.  O grupo Fidjus di Nossa Senhora da Luz, que “esquentou” os festivaleiros ao som do fenómeno “Cotxi pó” durante 30 minutos, veio a seguir.

Depois do público ter “suado” um pouco ao som deste novo género musical cabo-verdiano, deu-se uma pausa de 10 minutos para o primeiro desfile de moda da noite com roupas de gala (damas e cavalheiros), com participação de jovens modelos (masculinos e femininos) da Praia e do interior de Santiago. Na palco esteve ainda a Miss Santiago Norte, Erica Anybelle, natural de São Lourenço dos Órgãos para apresentar as suas faixas ganhas no evento de moda.

Perto das 02:00, subiu ao palco Elida Almeida que também canta, pela primeira vez, neste concelho vizinho do seu torrão natal Santa Cruz , em que com “casa cheia” “brilhou” ao som de “Djam odja”, “Nhu Santiago”, “Forti dor”, “Di mi ku bo” fazendo o público cantar todas as suas músicas , onde além de cantar , “dançou e interagiu” com os fãs que respondiam a cada pedido da também compositora.

A jovem, que diz ter sido recebida pelos laurentinos e visitantes “de uma forma espectacular”, mostrou-se “surpresa” pelo facto de o público já ter conhecido todas as letras das suas músicas, mesmo a recente, ou seja, “Homi nha amiga” numa parceria com Elji Beatzkilla.

Antes de terminar a sua actuação ao som de “É Zomban” para entregar o palco ao jovem rapper Hélio Batalha com quem fez uma parceria musical, “Final Feliz”, Elida Almeida fez os festivaleiros tirarem o “pé do chão” ao som do funaná interpretando “Bulimundo”, “Txiku”, “Bitori”, “grogu kaba” e tabanka com “Bersu d´oru” e como sempre o público dançou e contou todas elas, incluído a sua primeira composição “Ora doce, ora margos”.

À imprensa, a artista santa-cruzense que regressou recentemente de uma tournée de mais de um mês, onde pisou vários palcos de diversas cidades de países como Canadá, Estados Unidos e França, disse ter encontrado um público que aprecia muito a música cabo-verdiana, sobretudo morna e coladeira.

Na ocasião, a mesma fonte anunciou o próximo single aprazado para Outubro, que vai contar com a parceria de uma artista brasileira, limitando-se apenas em avançar que é uma música diferente do que tem estado a apostar ultimamente, ou seja, é “mais soft”.

Da sua agenda consta “shows” ainda este mês nas ilhas da Boa Vista e São Nicolau e em Setembro mais três concertos. Já em Outubro a agenda, conforme a mesma fonte, está “cheia”, com destaque para o México, “Womex” onde foi seleccionada na Finlândia, e culmina em Lisboa (Portugal).

Depois de Outubro, assegurou que vai focar no novo disco a ser lançado em Março de 2020.

Também na sua primeira aparição neste município Hélio Batalha conseguiu “cativar” o público jovem que o acompanhava a cada “Freestyle do rap” e cantava as suas músicas como “Rabidanti”, “Nada ka impossível”, “wuauuu”, “Nkre ser” e entre outros.

Batalha que deixou o palco perto das 04:00 para dar lugar ao segundo e último desfile de moda da noite, desta feita com trajes feitos com tecidos africanos e com “corografia” de Djam Neguin, chamou Elida Almeida para o palco onde cantaram o tema “Final Feliz” uma parceria dos dois que vem no EP “Ana” lançado em Fevereiro do corrente ano.

O jovem, que apelou à valorização do “hip hop crioulo”, pediu, igualmente, mais eventos temáticos sobre este género musical, tendo admitido à imprensa que vai “satisfeito com a recepção” dos laurentinos e dos visitantes.

O artista praiense, que vai estar na próxima semana na ilha da Boa Vista, Tarrafal (24 de Agosto), e no próximo mês na ilha do Sal para o Festival de Santa Maria prometeu um novo CD para final deste ano ou início de 2020.

Assim como Romeu di Lurdis, Léo Pereira “cativou” o público feminino com as suas músicas. O jovem de Rincão (Santa Catarina) radicado em Portugal que à semelhança dos demais artistas canta pela primeira vez neste município que celebrou no sábado, 10, as festividades do Dia do Município e santo padroeiro São Lourenço dos Órgãos, que teve o seu pico com uma missa em honra ao santo.

Num repertório marcado pelas músicas como “Dinheru na dedu”, “Sodade bó”, “Ta Due” e entre outras, o artista disse à Inforpress que o público “superou as suas expectativas” e ficou “emocionado” ao saber que os festivaleiros, sobretudo mulheres, conhecem as suas músicas.

Por tudo isso, disse esperar voltar novamente e com novo trabalho discográfico, que aliás, avançou vai “estoirar” brevemente. São Vicente e Sal são próximas ilhas que vão receber o “mini tour” de Léo Pereira, que regressa depois para a Europa.

De seguida subiu ao palco o também “estreante” Dynamo depois das 05:30 para fechar o certame, onde encontrou um “número significativo” de festivaleiros na sua maioria fãs à sua espera.

Poderosa, “Encaixa”, “Princesa” (acústico), “Kimica”, “Grogue”, “Only One” e “Enquanto n’respira” e entre outras são as músicas que fizeram parte do repertório deste jovem salense que levou a mulherada “à loucura”, tendo feito cair o pano desta primeira edição do “By Fashion Órgãos” perto das 06:30 ao som do single “Roda”, lançado recentemente numa parceria com Mito Kaskas.

No final, Dynamo não teve dúvidas que esteve à altura do público que também deu-lhe o “feedback positivo” ao cantar todas as suas cancões, sobretudo as fãs, motivo que o deixou “contente”, tendo almejando voltar novamente para apresentar o seu terceiro álbum a solo previsto ainda para este ano.

Entretanto, mostrou-se “surpreso” por encontrar um “número significativo” do público à sua espera, que apesar de estar cansado da festa “não arrecadou os pés dali e ficou à sua espera”.

Em declarações à imprensa, o vereador da Cultura, Valdano Furtado, fez um “balanço extremamente positivo” do certame, tendo declarado que o cartaz deste ano é “um dos melhores” que as festividades de “Nhu São Lourenço” já teve, quer pela qualidade dos artistas bem como pela qualidade da organização.

“Do feedback que tive do público, acho que estivemos bem e por isso estamos satisfeitos com este evento [By Fashion Órgãos 2019]”, acrescentou, mostrando a disponibilidade da edilidade em dar continuidade a este certame que considerou “diferente” dos outros festivais convencionais que todos os municípios realizam”.

É que, segundo o autarca, a combinação entre a música e a moda “deu certo”, daí a disponibilidade da edilidade laurentina em continuar com o festival neste “novo formato ”-música e moda.

Por outro lado, destacou a participação do público nas actividades, onde reinou o “civismo”, tendo adiantado que até o momento, pelas informações da Polícia Nacional, Protecção Civil e Bombeiros e Cruz Vermelha, não houve registo de nada de realce.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.