Em declarações à Inforpress, Dany Pires, que vive exclusivamente da música, manifesta-se “extremamente” preocupado com a situação de pandemia, que também atinge o país, cujos efeitos já se sentem, conforme disse.

“É uma situação que apanhou todo o mundo desprevenido. Vivo exclusivamente da música, faço animação em quatro hotéis em Santa Maria, e a minha última actuação vai ser no domingo, no Hotel Llana”, conta.

Mediante comunicação do respectivo hotel, que anunciou uma suspensão até meados ou finais de abril, o músico diz que vai aguardar a evolução da situação com serenidade.

“Vamos aguardando. Vou aproveitar esse período de contingência para trabalhar num projecto musical, com a cantora Paula Teixeira, já escrevi uns dois temas, e pretendo lançar um single nos próximos meses, se conseguir apoios”, revelou.

Esperando que tudo volte à normalidade “o mais rapidamente possível”, Dany Pires apela à sensibilidade do Governo no sentido da atribuição de um subsídio aos músicos, que estão inscritos, e descontam para o efeito.

“Muitos músicos, profissionais da música, estão registados no cartório, tipo uma pequena empresa, e há anos que vimos efectuando descontos mensalmente. Daí que, agora sem onde virar, apelamos ao Ministério da Cultura, um pequeno subsídio mensal, até que a situação se normalize, porque não temos outro meio de subsistência”, atirou.

Por enquanto tranquilo, mas diz que se a situação não melhorar os músicos poderão passar por “sérias dificuldades”, já que, conforme explica, têm renda de casa para pagar, comida, água, luz, entre outras responsabilidades para suportar.

Dany Pires que, entretanto, tem formação na área de desenho da construção civil, topografia, diz que “na pior das hipóteses”, recorrerá a esta profissão.

“É aguentarmos com força, e tentar criar projectos, ou modo de vida alternativo”, exteriorizou, lançando também o repto no sentido da criação da associação de músicos, várias vezes pensada, mas ainda não concretizada.

Ulisses Santos, é outro músico que está apreensivo quanto ao futuro, embora tenha um contrato com um dos hotéis na cidade de Santa Maria, onde actua há vários anos.

“Neste momento a maioria dos músicos, senão todos, estão parados. A situação é séria. É aguardar o que vai ser os próximos tempos, porque nós os músicos vivemos de show, actuações em restaurantes e hotéis (…)”, manifestou.

Sem querer pensar agora em dinheiro ou no futuro, porque o futuro a Deus pertence, Ulisses Santos entende que o momento serve também de reflexão.

“Tudo está parado. Tive também de fechar o meu restaurante…No Sal vivemos do turismo e se não há turistas não há vida. A época alta foi fraca e a baixa um desastre”, desabafou, apelando também a quem de direito, o Ministério da Cultura a analisar a situação dos profissionais da música por forma a minimizar o problema, durante esta fase difícil, em que o mundo atravessa, e Cabo Verde não foge a regra.

“É um problema mundial. Estamos sem dinheiro, mas pelo menos sem propagação do coronavírus, e oxalá o vírus não entre e se dissemine no país”, rogou.

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