A 6ª edição do Atlantic Music Expo já vai no seu terceiro dia e as atuações ganham cada vez mais espetadores. A noite desta quarta-feira, 18, foi marcada pelas atuações de Osmar, Bob Mascarenhas, Malika Tirolien, Djeli Moussa Conde, Puto Makina, Naldinho Freire e o Urban Meeting que juntou rappers de Cabo Verde, Canadá e Estados Unidos no mesmo palco.

O primeiro showcase da noite ficou a cargo de Osmar, um jovem natural da ilha de Santiago que junta ritmos do sukuss e afro com um toque de world music. O clima era de descontração e muita animação na Praça Luís de Camões, mais conhecida por Prainha da Escola Grande.

“Esse ano o meu foco era participar no AME. Dediquei-me a cem por cento para poder entrar na lista dos artistas selecionados e estou muito contente por pisar este palco. Vou continuar a trabalhar e tenho em vista lançamento do meu primeiro álbum até o final deste ano”, avançou o artista no fim da atuação.

Depois da atuação de Osmar, as atenções voltaram-se para o palco da Rua Pedonal. Aliás, a noite toda foi assim, uma atuação na Pracinha e outra na Rua Pedonal. E dessa vez era Bob Mascarenhas que chamava os presentes para ouvir “Rakodja”, o seu mais recente álbum. Com o seu estilo característico e ao ritmo de muito batuque e funaná, Bob fez com que todos cantassem em coro alguns dos refrões das suas músicas.

“Esta é a minha segunda atuação no AME e estou muito feliz por tudo que aconteceu aqui, a banda, o público… foi tudo muito bom”, disse satisfeito no fim do espetáculo. “Espero que todos os atores que atuam no mundo da música aqui presentes tenham gostado e já fiz alguns contactos agora é esperar e continuar a apresentação de Rakodja”.

No dia 28 deste mês Bob Mascarenhas vai estar em Assomada para apresentar Rakodja, lançado em 2016.

Malika Tirolien foi a artista que se seguiu. Com uma plateia bem composta, a artista natural do Guadalupe, levou todos a embarcar na sua contagiante viagem por ritmos do soul, jazz, R&B e o frenético ritmo afro-caribenho.

Esta é a segunda participação de Malika no AME, já tinha cá estado em 2016 a acompanhar o  artista Vox Sambou do Haiti. “O público foi muito acolhedor, esteve vibrante do início até ao fim e isso tocou-me. É a segunda vez que cá estou mas dessa vez é especial, com a minha banda, estou muito feliz. Gosto muito deste festival, permite descobrir muitos talentos, é muito interessante”, afirmou em conversa com os jornalistas.

Naldinho Freire: AME serve também para promover este intercâmbio cultural

O relógio marcava 21 horas e o som do kora de Djeli Moussa Conde já se fazia ouvir no palco da Rua Pedonal, entoando ritmos africanos para aquecer a noite. Djeli Moussa Conde nasceu na Guiné mas vive há muitos anos na França. E foi ali que conheceu Cesária Évora a quem dedicou uma música durante a sua atuação.

“Há muito que queria vir cá porque trabalhei com a Cesária Évora em Paris e digo de forma carinhosa que ela é a minha mãe. Ela despertou em mim a vontade de conhecer Cabo Verde e hoje cá estou. Estou muito feliz e vou guardar este momento no meu coração”.

O ambiente no centro da capital era, como habitual por esta altura, de muita alegria e boa disposição.

Puto Makina, filho de pais cabo-verdianos mas nascido em São Tomé e Príncipe, foi o artista que se seguiu. Com o seu afrobeat, sukuss e kizomba animou o público que dançou sem parar e vibrou com a performance do artista em palco. “Para mim é um sonho realizado estar neste palco. Participar num evento desta envergadura representa uma realização para qualquer artista. Não esperava esta a receção do público, ultrapassou todas as minhas expetativas”, revelou assim que desceu do palco.

O brasileiro Naldinho Freire que já esteve no AME, mas para participar nos workshops e conhecer o projeto, voltou este ano para mostrar o seu trabalho ao público do certame. Ritmos do nordeste brasileiro dominaram a atuação de Naldinho que surpreendeu todos com a interpretação de um tema de Mário Lúcio, cantando em crioulo.

“Eu já me sinto crioulo”, disse entre risos. Durante o espetáculo, Naldinho convidou Manuel de Candinho ao palco para, em dueto, interpretarem a música “Barqueiro de Luanda”. “O AME serve também para promover este intercâmbio cultural que é muito importante”, disse.

“Vou gravar um novo trabalho e o Mário Lúcio e o Manuel de Candinho vão participar. O álbum vai chamar-se ‘Sem chumbo’ porque os artistas não podem ter chumbo nos pés e devem andar pelo mundo”, revelou.

E já passava da meia-noite quando o ‘Urban Meeting’ vez da Pracinha da Escola Grande um grande palco de Hip Hop para fechar a terceira noite de shows do AME 2018.

Um projeto que juntou os artistas Batchart, de Cabo Verde, Illspokinn, dos Estados Unidos, e Yao, do Canadá, num espetáculo de ritmo e rima que fez jovens e graúdos assistirem entusiasmados ao show.

“A ideia foi colocar MC's de diferentes influências juntos no mesmo palco tentando construir algo novo, tendo em conta a experiência de cada um. Modificamos as nossas músicas, compomos alguns temas e este é o resultado dos dois dias de estúdio que estivemos juntos”, explicou Batchart. E deste intercâmbio resultou um novo ritmo, o ‘funatrap’, uma mistura de funaná e rap que foi apresentado ao público e parece ter agradado.

“O Atlantic Music Expo vale muito a pena principalmente pelas experiências que nos permite viver. Aprimoramos as nossas qualidades artísticas como também abrem-se outras portas para novos contactos” acrescentou.

E para os mais resistentes, a noite continuou no Warehouse com o Dj Buruntuma, natural da Guiné-Bissau.

Amanhã, dia 19, o último deste Atlantic Music Expo, continuam as conferências e workshops. Arsene Duevi e Débora Paris são os artistas que vão atuar nos Daycases. Já os showcases arrancam por volta das 19h30 com Romeu de Lurdis, seguido de Cris da Lomba e Afrotonix.

A abertura do Kriol Jazz acontece na sequência com as atuações dos homenageados deste ano: Os Tubarões  e Bulimundo.

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