Num ano sem grandes sobressaltos, a cidade do Mindelo aqueceu-se agora em Novembro, que foi o mês de tudo acontecer, a começar pelas bodas de prata do Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact.

Assim, comemorando os 25 anos de existência, o certame movimentou a ilha por 11 dias, de 06 a 16 de Novembro, com mais de 70 espectáculos e várias estreias nacionais e internacionais. Entre estas, “Os vivos, o morto e o peixe frito” do grupo Juventude em Marcha, de Santo Antão, que já estava com alguns anos de ausência do evento e foi o escolhido para encerrar o festival com “chave de ouro”, conforme a organização.

Também em Novembro aconteceu a segunda edição do Cabo Verde Ocean Week (Semana dos Oceanos) dividida entre debates científicos, palestras, seminários, mas também a parte cultural.

Esta última parte constituiu-se de concertos de vozes cabo-verdianas nas noites mindelenses e ainda, tido como um dos destaques, o lançamento oficial da “primeira tábua” para construção do estúdio flutuante que nascerá na Baía do Porto Grande e cujas obras arrancaram, efectivamente, a 01 de Dezembro último e com duração prevista de três meses.

O ministro do Turismo, José Gonçalves, considerou, na altura, ser este um empreendimento de “enorme importância e envergadura”, e também um “projecto estruturante”, cujo conceito foi evoluindo e vai ser agora um “hub de criatividade”.

“Porque, não é só a música, mas tudo que é cultura, desde cinema, filmes, eventos desportivos e internacionais”, disse o governante, para quem este servirá não somente Cabo Verde, mas toda a zona oeste africana e ainda como mais uma alternativa de entretenimento para os turistas de cruzeiro.

Culturalmente ainda se pode falar neste mês, em São Vicente, da quarta edição da Feira de Artesanato e Design – URDI, que contou com a participação de artesãos de todas as ilhas e impressionou pela criatividade e diversidade apresentada e que, segundo o director do Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD), Irlando Ferreira, teve uma “boa aceitação”.

Contudo, Novembro não se fez no Mindelo só de cultura, também houve espaço para o negócio com a Feira Internacional de Cabo Verde (FIC) e que reuniu 88 expositores nacionais e internacionais organizados em 180 stands.

Um evento que, conforme o presidente do conselho de administração da FIC, Gil Costa, conseguiu “surpreender as pessoas”, porque a feira “estava mais bonita e mais cheia.”

Prova disso, segundo a mesma fonte, foi o evento ter recebido três mil visitas diárias e ter, no final, já seis empresas estrangeiras inscritas para a FIC 2020, na cidade da Praia.

A nível social, também em Novembro, conheceu-se a sentença de 25 anos de prisão decretada pelo Tribunal de São Vicente ao indivíduo de 53 anos acusado da prática de cinco crimes de agressão sexual contra crianças na zona piscatória de Salamansa.

O homem era responsável pelas chaves da capela da localidade e foi denunciado por uma das vítimas, de 12 anos, no mês de Abril deste ano. A criança, que não aguentava mais os abusos, procurou o pároco da Igreja de Nossa Senhora da Luz para desabafar e partilhar o seu sofrimento.

Alguns dos actos terão sido cometidos dentro da capela e também na casa do agressor e, segundo familiares, havia mais de um ano que as crianças estavam a sofrer os abusos.

No entanto, o ano em São Vicente ficou ainda marcado, na cultura, pela criação, em Outubro, da escultura feita com recurso a berbequim, no mural da praça Dom Luís, pelo artista internacional Alexandre Farto, conhecido por Vhils, e que simboliza a falecida cantora cabo-verdiana Cesária Évora.

Da música ao Carnaval, Mindelo também se fez em 2019, por exemplo, de polémicas, como as divergências do Vindos do Oriente, com a Liga Independente dos Grupos Oficial do Carnaval de São Vicente (LIGOC), que criticou a forma como estava sendo preparado a festa do Rei Momo, incluindo o novo trajecto anunciado para o desfile.

Um desentendimento que até ditou a não participação do grupo no desfile dos grupos oficiais, restringindo a sua contribuição a apenas um “assalto de Carnaval”.

Já em Agosto que se deu a entrada da concessionária dos transportes inter-ilhas, a Cabo Verde Interilhas, um início de funcionamento um tanto ou quanto atribulado, ainda mais na linha São Vicente/Santo Antão, em que se registou uma certa confusão na compra das passagens e no transporte de veículos e muita contestação.

Entretanto, um mês antes, milhares de pessoas voltaram a responder positivamente ao apelo do movimento Sokols 2017 para uma mais manifestação “em massa” a 05 de Julho, dia da Independência Nacional, para contestar assuntos como a descentralização, transportes e vários outros

Além das gentes de São Vicente, também participaram na manifestação pessoas das ilhas de Santo Antão e São Nicolau, que depois de chegarem à Praça D. Luís, no Mindelo, decidiram ir manifestar junto às portas da Câmara Municipal de São Vicente, que até nem constava do programa.

Entretanto, é de registar, em Abril, uma ruptura de stock de pílulas contraceptivas e preservativos nos centros de saúde de São Vicente, que poderiam estar na origem do aumento de casos de gravidez, segundo fontes próximas a estas instituições de saúde.

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