Natural do concelho de Santa Cruz, mais concretamente da localidade de Ribeira Seca (Pedra Badejo), Adérito de Brito Varela, de nome artístico Pzaiko, contou ao SAPO em entrevista que a sua ligação com a música surgiu de uma forma natural.

Filho de mãe solteira, Adérito conta que teve de trabalhar arduamente desde muito cedo no setor agrícola para ajudar a família. O jovem diz que sempre gostou de cantar e destaca a preferência pelo rap.

“Em 2010, comecei a compor juntamente com os meus primos e amigos da minha localidade. Daí criamos o grupo “Big Broda” e chegamos a gravar quatro músicas em formato de CD e mp3 que passamos aos nossos amigos”, recorda o jovem, que na altura tinha 17 anos.

Entretanto, foi em 2016 que Adérito Varela decidiu enveredar por uma carreira musical a solo e decidiu compor aquele que viria a ser o seu primeiro single intitulado “Limite é Ceu” que faz parte do EP “N’podi Fazi midjor”.

“Nessa altura, senti a necessidade de renascer e de ser um novo Adérito. Vi que a música era o único caminho que me poderia salvar porque é algo que gosto de fazer. Dediquei-me à composição do single durante quatro anos e, em 2020 tive, de dar alguns retoques para aperfeiçoar (a música) e decidi assim lançar o meu primeiro projeto musical”.

Adotou o nome de Pzaiko porque, segundo explica, a alcunha representa todo o seu percurso de luta e é também uma forma de homenagem e agradecimento para com os Rapaz 100 Juiz. “Aprecio e admiro muito as suas mensagens e isto me influenciou muito”.

“Para mim representa a força de lutar e de continuar a batalhar para converter a minha situação e, ao mesmo tempo impulsionar outros jovens da minha comunidade a correr a trás para que um dia alcancem os seus objetivos. Pois, a felicidade e o sucesso que eu posso alcançar um dia é um sucesso coletivo”.

Apesar de ter passado por muitas dificuldades, Pzaiko diz que o sonho de um dia ser um artista profissional e singrar na música nunca deixou de existir.

O single “Limite é céu” acabou por ser lançado a 23 de janeiro nas plataformas digitais e faz parte do EP “N’podi Fazi Midjor” que contém mais 5 faixas, entre as quais “Linha de tempo”, “Divergência”.

Segundo Pzaiko, o tema demonstra que nenhum obstáculo pode limitar o percurso de uma pessoa que realmente sabe o que quer na vida, mesmo passando por circunstâncias e situações difíceis.

“Esta música retrata uma parte do meu percurso, as dificuldades que tive que enfrentar e o EP “N’podi Fazi Midjor” representa que tudo na vida é difícil antes de se tornar fácil e hoje é uma marca para mim e uma palavra poderosa que permite-me lutar a cada dia e pensar que posso fazer melhor todos os dias”.

O tema conta com a produção musical de Amaral Fortes (Goldbeats) e contou com a participação do artista cabo-verdiano, Djox. Já o videoclip foi produzido pela Clacket.

“Eu não conhecia o Djox. Aconteceu tudo naturalmente. Estava a gravar no estúdio e ele encontrava-se no mesmo local. Ouviu a música e foi ver quem estava a gravar. Logo perguntou-me se precisava de alguém para fazer coro e começou a cantar o refrão. Gravamos e resultou num trabalho e uma combinação muito especiais”, diz orgulhoso.

Após o lançamento do primeiro single Pzaiko diz que o feedback tem sido positivo. “Estou a receber mensagens de muitas pessoas nas redes sociais, inclusive recebi mensagem de rappers que já estão num nível mais avançado, e isto é muito bom para mim e espero que o sucesso continue”, diz com orgulho.

Adérito Varela que se assume como um rapper, diz que gosta de apreciar outros estilos musicais. “Gosto de ouvir fado e músicas clássicas”.

Hélio Batalha, Trakinuz, Sara Tavares, Shoddy Lopes (um rapper santa-cruzense) são outros artistas que Pzaiko admira, mas almeja um dia dividir o palco com os Rapaz 100 Juiz. Com destaque para o Péricles, PNC.

Em entrevista ao SAPO, o rapper defende que atualmente a música cabo-verdiana está num ritmo de crescimento elevado e destaca o que os rappers estão a ter maior aceitação.

“O rap para mim tem a capacidade de formar o caráter das pessoas”, diz Pzaiko que defende que os rappers atuais procuram transmitir mensagens positivas.

“Por exemplo, a mensagem do Hélio batalha e do Trakinuz retrata muito a realidade social e não só. Tenho a certeza de que quem consumir rap, o seu pensamento poderá evoluir e poderá transformar-se numa pessoa diferente e acredito que é o estilo ideal para isso”, assevera.

O jovem santacruzense deixa mensagem para todos que querem entrar no mundo da música para que corram atrás dos seus sonhos com garra, serenidade e, principalmente, com humildade para descobrir o propósito que almejam atingir sem prejudicar os outros.

De realçar que após o lançamento do single “Limite é Céu”, Pzaiko atuou no evento “Santa Cruz na Capital” que aconteceu no passado dia 07 de março, na Rua Pedonal no Platô, bem como fez uma atuação no lançamento da II edição da revista Nosagenda que aconteceu no dia 11 de março, na Livraria Pedro Cardoso, também cidade da Praia.

Edna da Veiga/Estagiária

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