Em declarações à Inforpress, no âmbito do aniversário de morte de Ildo Lobo, falecido a 20 de Outubro de 2004, Abraão Vicente afirmou que Ildo Lobo deu um valioso contributo para o desenvolvimento, promoção e internacionalização da cultura cabo-verdiana.

“Ildo Lobo é a voz de Cabo Verde, de certa forma é voz masculina da música cabo-verdiana. Ildo Lobo e o Bana fazem de certa forma o dueto da alma e emoção, essencialmente da morna, e creio que a candidatura da morna e a sua provável consagração como património imaterial da humanidade deve-se em grande parte à obra deixada por Ildo Lobo”, declarou.

Para este governante, Cabo Verde tem perdido grandes personalidades que desapareceram fisicamente e neste sentido, ajuntou, o Governo pretende, a partir das suas políticas adoptadas na área da cultura, garantir a valorização e preservação da memoria daqueles que elevaram o nome de país e da sua cultura a grandes patamares.

A título do exemplo, referiu que o executivo, através do Ministério da Cultura, tomou a iniciativa de edificar, em todas as ilhas do país, bustos das figuras populares de Cabo Verde, garantindo assim que Ildo Lobo terá futuramente um busto edificado na ilha do Sal.

“A mais recente homenagem que fizemos neste sentido é a edificação do busto de Ntoni Denti D´oru, um dos grandes impulsionadores do batuque e do funaná e, consequentemente, da cultura cabo-verdiana”, disse, realçando que a preservação e valorização da cultura passa pela institucionalização de uma escola de música.

Abraão Vicente lembrou que o Governo tem apostado fortemente no projecto Bolsa da Cultura e na Cesária Évora Academia e Artes, uma iniciativa que visa capacitar e ensinar as crianças e jovens a música tradicional cabo-verdiana.

Ildo Lobo nasceu a 25 de Novembro de 1953, na localidade de Pedra de Lume, ilha do Sal.

O cantor ficou conhecido pela sua voz versátil e melódica, a sua poderosa presença em palco e a forma singular como cantava mornas, coladeiras e funaná, que fizeram dele um dos maiores intérpretes de sempre de Cabo Verde.

O conhecido intérprete cabo-verdiano foi uma das figuras de proa e vocalista dos Tubarões, grupo que marcou a música de Cabo Verde a partir da época da independência, a 5 de Julho de 1975, até à década 1990.

Com os Tubarões, gravou oito discos, num intervalo de 18 anos – Pepe Lopi (1976), Tchon di Morgado (1976), Djonsinho Cabral (1979), Tabanca (1980), Tema para dois (1982), Os Tubarões (1990), Os Tubarões ao Vivo (1993) e Porton d’ nôs ilha (1994).

Ildo deu voz a compositores como Manuel d’Novas e Renato Cardoso e interpretou grandes mornas que marcaram a sociedade cabo-verdiana, como “5 de Julho”, “Cabral Ká Morri” e “Porton d’nôs Ilha”.

Fez ainda carreira a solo, tendo gravado três discos: Nôs Morna (1996), Intelectual (2001) e Incondicional (2004), que foi publicado a título póstumo.

Ildo Lobo morreu a 20 de Outubro de 2004, na cidade da Praia, na sequência de uma queda, seguida de ataque cardíaco.