Em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Nacional da Morna, Jair Fernandes informou que Setembro era o prazo para a entrega ou devolução do processo e como isso não aconteceu, parte-se do princípio de que o dossiê está “muito bem preparado e pronto a ser analisado”.

“Até este momento, não foi feito nenhuma observação ao processo, o que partimos de princípio de que está tudo em conformidade, tanto as peças escritas (as declarações de consentimento, o preenchimento do formulário), e as peças áudio e vídeo, (fotografias e o vídeo que acompanha o dossiê de candidatura)”, assegurou.

No quadro do plano de salvaguarda entregue à Unesco, segundo este responsável estão previstas algumas acções de salvaguarda e de promoção da morna, intitulada “Agenda morna para 2019”.

Esta agenda iniciou-se hoje com a celebração do Dia Nacional da Morna, em que estão previstas várias actividades culturais.

Entretanto, para o próximo ano, estão programadas actividades de cariz lúdica e pedagógica, envolvendo as escolas e a comunidade da morna, no sentido de “aprofundar uma reflexão mais alargada em relação ao património imaterial e em relação aos géneros musicais e outros géneros com potencialidades de serem inscritas na lista de património da Unesco”.

Ainda no âmbito desta agenda, informou, prevê-se a criação de algumas infra-estruturas, como a Casa da Morna e um Museu da Morna, nas ilhas onde “a presença da morna é mais marcante”.

Este género musical que antes era interpretado por grandes vozes cabo-verdianas como Cesária Évora, Ildo Lobo, Bana, Tito Paris, e entre outros, tem ganhado uma nova dinâmica na voz de jovens como Cremilda Medina, Ceuzany, Neusa, entre outros.

Para Jair Fernandes, a presença de jovens neste género é algo que tem que ser valorizado não só pelo Estado, mas pelo sector privado.

“Isso demonstra que há uma preocupação em perpetuar o género musical, não só no seu sentido mais restrito do conceito de salvaguarda, mas também na sua própria promoção, estando, naturalmente, aberta às novas tendências, novas sonoridades sem perder a essencial identitária que a caracteriza”, frisou.

Para assinalar o Dia Nacional da Morna, acontece hoje uma conferência “Pensar B.Leza” em homenagem ao patrono, Francisco Xavier da Cruz “B.Leza”, na Assembleia Nacional, seguida de uma exposição fotográfica sobre B.Leza, intitulada “Morna em Si”.

Ainda no quadro da comemoração, o IPC realiza “Morna de Sodade”, uma serenata à chegada dos voos internacionais em que intérpretes da morna estarão no aeroporto da Praia a agraciar a diáspora com temas emblemáticos.

No dia 17, acontece um “Encontro de gerações”, com homenagem à Diva dos Pés Descalços, e no dia 21 será feita uma homenagem à morna, num evento realizado em parceria com a Câmara Municipal da Praia, no âmbito das actividades de “Noite Branca”.

Cabo Verde entregou no dia 26 de Março de 2018, na Unesco, em Paris (França), o dossiê técnico que marca a inscrição da morna como candidata a Património Imaterial da Humanidade. A decisão sobre este dossiê será anunciada na próxima reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da Unesco, que acontece na Colômbia, em Dezembro de 2019.