Hamilton Fernandes falava aos jornalistas após a abertura da conferência “Pensar B.Leza e a Morna”, que aconteceu no salão de banquetes da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia.

Conforme disse, o processo de candidatura já está numa fase irreversível, porque a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) não apontou nenhuma observação ao dossiê, nem ao processo em si, o que os leva a crer que há uma “forte garantia” de que a morna será inscrita no próximo ano.

“Agora, claro, é trabalharmos numa frente diplomática, a diplomacia cultural no seu sentido mais lato e também trabalhar a nível nacional para fazer com que a morna entre na agenda das várias entidades público-privadas, sobretudo nas escolas e na comunidade civil de forma a apoderarem-se da morna e do próprio processo”, defendeu Hamilton Fernandes, dizendo-se otimista de que “2019 será o ano coroado para a morna enquanto rainha”.

Por isso, ajuntou, serão realizadas em 2019 várias atividades que fazem parte do plano de salvaguarda da morna que serão monitorizadas pela Unesco.

“Estamos a pensar em algumas conferências aqui em Cabo Verde, na diáspora e com a diáspora, atividades de cariz cultural, galas e promoções da morna, dos novos talentos, mas também chamar à responsabilidade às outras entidades que têm estado a trabalhar na promoção da morna”, indicou o presidente do IPC.

Falando particularmente sobre a conferência “Pensar B.Léza e a Morna”, Hamilton Fernandes explicou que se trata de uma atividade realizada neste dia da morna para dará  conhecer o dossiê de candidatura a património da Unesco desde a parte visual até à parte escrita que é o formulário e colocar em marcha o plano de salvaguarda.

“Hoje, para além das atividades lúdico-pedagógicas que envolvem as escolas e a comunidade morna, estamos aqui a fazer uma pequena conferência, um espaço de reflexão com essa comunidade morna, com investigadores e fazedores da morna e a socializar o conteúdo científico do plano de salvaguarda”, explicou lembrando ainda da inauguração da exposição “Morna em Si” que retrata todo o processo desde a patrimonização da morna até o dossiê de inscrição na lista de património mundial.

Como parte dessas atividades, ainda durante o mês de dezembro, haverá homenagens a figuras emblemáticas do mundo da morna como a Cesária Évora, encontros de gerações e uma homenagem à morna e à mulher, em parceria com a Câmara Municipal da Praia, na Noite Branca. Para além disso, vão receber os emigrantes e quem vista Cabo Verde neste mês de dezembro com pequenas serenatas no aeroporto da Praia.

“A ideia é, precisamente, mostrar a dimensão diaspórica da morna, mas também a morabeza que está implícita no próprio género”, sustentou o presidente do IPC.