Quarenta e uma mornas, oito coladeiras, um funaná, um rabolo/mazurca, dos mais conhecidos ícones do país constituem a terceira compilação em 179 páginas de formato A4, que se junta, ao segundo volume de 279 laudas da música moderna contendo 60 partituras distribuídas por mornas, coladeiras, balada, batuque, e funanás, envolvendo 43 autores.

Os dois livros estão dotados de letras cifradas, “seguidas de partituras geralmente constituídas de três pentagramas”, a primeira com notas gráficas, para guitarra-nosso, a segunda com linha melódica acompanhada de letra e a terceira pauta com teclados, com cifras universais e tradicionais, organizadas por ordem alfabética.

Para Pedro Celestino Moreira, que durante o seu tempo de músico aprofundou no Seminário São José a teoria com o “objectivo de um dia escrever músicas mediante símbolos”, acredita que esta é mais uma iniciativa que que nasceu, espontaneamente para presentear o país com esta espécie do “Real Book” nascido nos anos 70 nos EUA.

Catorze autores da ilha de Santiago, 10 de São Vicente, foram associados aos de todas as ilhas, de geração dísparas, que vão de B. Léza a Eugénio Tavares, Jota Monte, Tito Paris, Miri Lobo, Ney Fernandes, Zézé di Nha Reinalda, Orlando Pantera, Abílio Duarte, Nhelas Spencer, Ano Nobo, Paulino Vieira, Manel Clarinete, Jorge Pedro Barbosa, Amândio Cabral.

Integram, ainda esta selecção especialistas como Toy Vieira, Kaká Barbosa, Djoya, Antero Simas, Júlio Correia, Tibau Tavares, Codé di Dona, Morgadinho, Djirga, Betú, Norberto Tavares, Pedro Rodrigues, Constantino Cardoso, Tigoi, Djodja, Djunga de Biluca, Armando de Pina, Zé de Piga, Bera de Piga, Fernando Queijas.

Com esta representação escrita de música padronizada mundialmente, tal como qualquer outro sistema de escrita, esta partitura conta com símbolos próprios, notas musicais que se associam a sons, o que, na óptica do autor, facilita qualquer tocador a sua aprendizagem.

Pedro Celestino Moreira pretende ajudar os outros também a aprender a “música de uma maneira muito fácil” com este livro que tem uma tiragem de 200 exemplares e que o mesmo considera ser o maior cancioneiro de sempre em Cabo Verde, virado, essencialmente para os cantores, mas também aos amantes da música e o público.

O critério para selecção dos autores nesta partitura, explicitou, teve por base um inquérito popular espontâneo feito pelo próprio nas ruas, que o levou a apostar em mornas e temas clássicos de grande valor social, mediante consentimento dos músicos.

“Todas as músicas são lindas e muito bem-recebidas pela comunidade musical. Tenho contado com muita grande receptividade de músicos e não músicos. Estou com muita certeza que isto vai ser bem concebido”, prognostica este fundador do agrupamento musical Tropical Som, que descobriu a paixão pela música ainda criança, altura na qual corria atrás de gira-disco e nas tocatinas do falecido Lela Violão.

Ao longo da sua formação no Seminário São José, nos anos 80, Pedro Celestino Moreira terá sido incentivado pelo padre Constantina a aperfeiçoar-se com a flauta, tendo mais tarde frequentado a Escola de Música Cubala, no Gimnodesportivo, onde durante quatro anos estudou a música clássica e a teoria, para depois integrar a Banda Municipal com os professores José Casquinha, Manel Clarinete e Pedrinho Nha Joana.

Com pós-graduação em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local e pós-graduado em Estudos Autárquicos, este filho de Flamengos, no concelho de São Miguel, estudou a história da música europeia em Coimbra, Portugal, e tem uma passagem em tocatinas nos diversos restaurantes da capital e nas missas dominicais.

Em tempo da prevenção face a pandemia do novo coronavírus, Covid-19, Pedro Celestino aproveita a comunicação social para a divulgação física destes livros, que começou a escrever em 2009, por incentivo do músico Casimiro que o conduziu ao lançamento do seu primeiro caderno em Dezembro de 2017, numa parceria com a antiga professora Larissa Morais.

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