Lançado em março de 2018, o mais recente álbum de Nancy Vieira, "Manhã Florida", tem tido uma aceitação do público 'surpreendente', afirma a cantora que se encontra em Cabo Verde para fazer dois shows de apresentação do disco.

“Sabemos que a música de Cabo Verde é muito apreciada e muito bem recebida por onde passamos”, declara a artista que reside em Portugal.

O álbum que foi batizado com o título “Manhã Florida”, um dos 12 temas que compõem o trabalho, este da autoria de Teófilo Chantre, já viajou por várias cidades europeias desde o leste europeu até Espanha.

“A reação no leste europeu é surpreendente porque temos a ideia de que as pessoas são um pouco mais frias e não expressam muito as suas emoções, mas a minha experiência tem sido completamente diferente, com aplausos estrondosos no final e com pessoas que pedem para abraçar no final (dos concertos)”.

Um trabalho que conta com composições de nomes como Betú, Kaká Barboza, Mário Lúcio, Vitorino Chantre e Amándio Cabral, Marc Estève, Tó Alves e ainda Tiolino e no qual Nancy Vieira estreia-se como compositora com o tema "Porto Inseguro".

“Anuncio sempre (que vou cantar um tema da minha autoria) porque normalmente canto grandes composições mas as pessoas são muito solidárias e aplaudem”, confessa com um sorisso.

Entretanto a pele de compositora não é algo que Nancy Vieira 'leve muito a sério'. "Não penso muito nisso. Se acontecer é algo espontâneo, uma inspiração do momento. Sou intérprete e acho que" há música à vontade para eu cantar sem ser compositora (risos)".

"Sou intérprete e acho que" há música à vontade para eu cantar sem ser compositora"

Confessa que está ansiosa para os dois concertos de fevereiro, em Mindelo no dia 1, e na cidade da Praia, no dia 2, e diz que estes shows “são apenas o início” porque está a tentar reunir condições para ir para as outras ilhas.

Grata ao público “pelo carinho e por se manter fiel” até porque como faz questão de salientar “há cada vez mais músicos, festivais e artistas de todos os géneros que arrastam multidões”. “E a música que faço não é propriamente dessa natureza. Este público faz-me ficar cada vez mais motivada e confiante na minha escolha que é natural (pela música tradicional)”.

Em 2019, ambiciona apresentar a Manhã Florida pelos recantos do país. "A minha prioridade é cantar em todas as ilhas este ano", diz a cantora que tem origens da ilha da Boa Vista e que é muitas vezes cobrada, pelos familiares da ilha para “cantar em casa”.

A "Manhã Florida" vai continuar a percorrer o mundo, sendo que em fevereiro a cantora desloca-se novamente à Rússia, onde tem estado, em média, duas vezes por ano, Tunísia, Polónia, Alemanha, entre outros destinos.

A cantora que continua a integrar a Orquestra/Tributo a Cesária Évora, tem participada noutras iniciativas musicais. Sem entrar em detalhes, a artista revela que este ano poderá integrar um novo projeto no âmbito da música, bem como ‘dar um saltinho’ ao teatro.

Não exclui igualmente a hipótese de voltar a fazer apresentação, até porque o mundo da televisão é algo que a fascina. “Até ideias de programas tenho, que depois partilho com quem sabe realizar programas”.