Recentemente admitida na (SCM) como dos mais novos membros da coletividade, a autora, que se encontra em digressão mundial do seu mais recente trabalho discográfico “Manhã Florida”, disse  acreditar no trabalho realizado pela direção da coletividade, visando “o cabal desempenho para o reconhecimento dos direitos autorais”.

Para esta intérprete, que também revela a sua faceta de compositora,  pode ser que o reconhecimento pelos direitos autorais  “veio tarde, mas ainda está-se a tempo” de o País reconhecer o trabalho dos criadores da música, enquanto “um dos patrimónios raros” do arquipélago.

Alega que “qualquer bem neste mundo tem um proprietário, assim como a propriedade intelectual e criação artística”, sublinhando que os autores merecem esta contrapartida em reconhecimento pelo seu trabalho, de uma “forma digna”.

Neste capítulo, enalteceu o “bom trabalho” concretizado pela SCM,  esperançada de que esforços continuem a ser envidados para a realização de um trabalho em prol de autores e intérpretes, com vista ao engrandecimento, “cada vez mais”, da música cabo-verdiana.

Foi uma das vozes femininas que atuou na Noite Branca, na Cidade da Praia, numa homenagem à mulher e à morna, tendo considerado uma honra para a sua carreira ter sido escolhida para integrar o elenco pela primeira vez neste certame musical na zona história do Platô, onde também aproveitou a ocasião para apresentar a sua última criação.

No ano em que a UNESCO vai decidir, em dezembro, sobre a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, Nancy Vieira garante estar expectante, argumentando, entretanto, que pela sua experiência este género musical cabo-verdiano já se afigura como um património mundial.

“Para todo os cabo-verdianos, intérpretes da música cabo-verdiana e músicos, para nós a morna já é um património grande que não precisaria desta proclamação, mas o título da UNESCO vai ser muito bom e determinante para ver se a morna possa vir a ter mais visibilidade que a Cesária Évora deu a conhecer ao mundo”, enfatizou.

Com cinco álbuns no mercado discográfico, Nancy Vieira não tem dúvidas de que tanto Cabo Verde como os artistas sairão beneficiados com este possível reconhecimento mundial da UNESCO à morna.

A cantora agendou o princípio do ano de 2019 para a apresentação pública em Cabo Verde da sua obra em digressão mundial “Manhã Florida”.