Seis anos depois de “No Amá”, Nancy Vieira lança no mercado um novo álbum – “Manhã Florida”.  Em Cabo Verde para participar nas gravações de um novo programa musical (Kintal di Belinha), a cantora falou ao SAPO deste trabalho que, segundo a própria, traz um registo que lhe é característico e tem a sua identidade.

“Neste álbum realizo um grande sonho que é trabalhar com Teófilo Chantre (em disco)”, afirma Nancy Vieira que neste mês de março, lança no mercado “Manhã Florida”.

“Sempre que estou a preparar um disco novo tenho como grande parceiro o Teófilo Chantre. Mesmo antes de pensar na produção, ele já sabe que lhe peço canções ou ele até me envia canções novas”.

E é justamente um tema deste músico, compositor e produtor que dá nome ao novo álbum. “Quando vi o título da canção “Manhã Florida”, achei uma coisa simples e bonita”. O título do álbum foi assim escolhido mesmo antes da gravação.

Um álbum que segundo a cantora tem a sua identidade e que traz um registo que lhe característico. “É a minha praia, a música tradicional de Cabo Verde. A morna aparece neste disco na sua forma, diria, mais pura, muito acústica”.

Diz que faz sempre questão de ir buscar os clássicos. Consta deste álbum um tema de Eugénio Tavares – “Mar di Lua Cheia”, por exemplo.

No trabalho com 12 faixas, que incluem além da morna, um funaná lento e coladeira, há também composições de Betú, Kaká Barboza, Mário Lúcio, Vitorino Chantre e Amándio Cabral, Marc Estève, Tó Alves e ainda Tiolino.

Não define um número limite de temas e fazer a seleção das canções não é propriamente tarefa fácil contudo, salienta que a certa altura “as canções parece que se encaixam e se escolhem a si próprias”.

Há temas que não entraram e que ficam guardados para o futuro. “Mesmo as canções que não estão aqui (no álbum), eu gosto”.

Este álbum também é uma estreia de Nancy enquanto autora. “Mostrei o tema (Porto inseguro) ao meu editor. Espontaneamente, saíram-me a letra e a música no mesmo dia.” Questionada sobre em que se inspirou para escrever o tema, a cantora responde entre sorrisos: “É uma canção de amor. Reticências…”

O disco já está à venda em Cabo Verde, em primeira mão, e a partir do dia 9, começa a ser comercializado no resto do mundo.

Chegada a fase de divulgação, Nancy Vieira vai estar a promover o trabalho novo por diversos países numa tournée que já estava marcada, nomeadamente na Europa do Leste, onde a música dos PALOP tem estado em destaque. Só nos últimos dois anos, Nancy esteve três vezes na Rússia.

Os concertos de apresentação em Cabo Verde ainda não têm data certa, mas devem acontecer ainda este ano. A residir há vários anos em Portugal, a cantora revela o desejo de vir cada vez mais a Cabo Verde e, quem sabe, um dia residir cá.

Nancy Vieira
créditos: CM

 “A morna já tem um lugar cativo”

A cantora mostra-se satisfeita com a aprovação do dia nacional da Morna, que vai passar a ser assinalado a 3 de dezembro (dia de nascimento de B.Leza), bem como com o andamento da candidatura da morna a Património da Humanidade.

Ressalva que, da experiência pessoal, bem como de outros cantores de música tradicional que conhece, “a morna já é muito bem-aceite, ouvida e apreciada como uma pérola no mundo inteiro”.

“Nos países mais longínquos, onde vou cantar, a música de Cabo Verde no geral, mas a morna, em concreto, toca a todos. É uma magia (…) uma sonoridade mágica que emociona as pessoas”.

Daí que salienta que mesmo que a candidatura da morna seja aceite, o que será algo positivo, que este estilo musical já “tem um lugar cativo nos ouvidos e nos corações do público pelo mundo”.

Reconhece que outros géneros musicais são atualmente mais populares entre os jovens, mas que “nenhum género vale mais do que outro”. “A nossa riqueza (musical) é essa diversidade”.

Cantar Cesária

A 16 de março, a falecida diva dos pés descalços, Cesária Évora vai ser homenageada em Bona, na Alemanha, num grande tributo formal das Nações Unidas à cantora. Nancy Vieira faz parte do grupo de artistas que atuam na homenagem. Lura, Elida Almeida, Teófilo Chantre, Lucibela, e Dino d’Santiago também fazem parte do elenco do concerto.

Em maio deste ano, acontecem mais dois concertos de homenagem a Cize, desta vez na Turquia.

“Parece que algumas pessoas cansam-se de tantas homenagens à Cesária. Já ouvi essas opiniões, mas as pessoas têm de ter consciência que nesses países, o público pede. Não são só os produtores que “inventam” homenagens à Cesária Évora. O público pede porque tem saudades”.

E salienta que nada nem ninguém vai substituir esta grande senhora da música cabo-verdiana. “Nós vamos humildemente cantar essas canções porque as pessoas ficam felizes”.