A informação foi revelada hoje à imprensa pela coordenadora do dossiê técnico da candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, Sandra Mascarenhas, depois de terem recebido, esta quinta-feira, da Unesco a notificação de que a morna já está inscrita na lista de património mundial.

“Em dezembro o que nós vamos ter será apenas a proclamação da morna como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Sempre um mês antes do encontro a Unesco notifica os Estados, de antemão, se efetivamente irão passar diretamente, como aconteceu com a morna, ou se há algum problema” revelou.

Segundo Sandra Mascarenhas a Unesco analisou individualmente cada critério e concluiu que, o processo, com mais de três mil páginas, respeitou todos os cinco critérios exigidos e que conseguiram mostrar no formulário do dossiê que foi desenvolvido todas essas ações em torno da morna.

Dos critérios apontou a realização do inventário em todas as ilhas envolvendo os praticantes e detentores, demonstrar que a classificação da morna como património mundial iria não só trazer visibilidade para a convecção, mas também para o próprio género em si.

Outro critério, indicou, era demonstrar que houve participação e que o processo foi elaborado com a participação da comunidade, demonstrar que a morna é um património cultural de Cabo Verde e apresentar o seu plano de salvaguarda.

Com esta consagração, a coordenadora do projeto e técnica do IPC realçou que todos sairão a ganhar, inclusive a nação cabo-verdiana que terá a sua identidade reconhecida além-fronteiras.

“Quando fizemos o inventário acabamos por descobrir que, mais do que o económico, o que as pessoas querem é ver aquilo que elas fazem, ver o seu património elevado e ver o reconhecimento de tudo o que a morna representa para cada um delas”, enfatizou.

O desafio agora, segundo o Instituto de Património Cultural, é a sua salvaguarda.

Neste âmbito, avançou que no âmbito do plano de salvaguarda, que já está em curso, o IPC vai trabalhar na questão dos direitos autorais, em iniciativas de transmissão da morna como concurso “Jovens cantam morna” e publicação de obras sobre a morna para 2020.

A mesma fonte informou ainda que o IPC, enquanto instituição vocacionada para a defesa do património, tem uma valência que é trabalhar o ponto de vista patrimonial, mas que agora há que redefinir esse plano, no sentido de tentar trabalhar a morna sob outras perspetivas.

A perspetiva do mercado que se está a trabalhar com a Sociedade Cabo-verdiana de Música e a Sociedade Cabo-verdiana de Autores, a perspetiva turística da morna, uma vez que haverá uma exploração à volta da morna que, a seu ver, tem que ser controlada, apontou.

Ainda, segundo Sandra Mascarenhas, há um conjunto de medidas e de ações que tem que ser trabalhadas a nível de ensino formal e informal e na promoção da morna a nível interna e externa.

“Internacionalmente já se reconheceu a morna com tal, agora vamos trabalhar para que a morna espelhe essa dimensão mundial que a Unesco nos consagra e lá fora continuarmos a manter o padrão com que as pessoas estão habituadas a ver na morna”, enfatizou.

Por sua vez, o presidente do Instituto de Património Cultural, Hamilton Jair Fernandes disse que a nação cabo-verdiana está de parabéns pelo facto de se ter conseguido este feito.

Enalteceu o engajamento dos técnicos do IPC, da tutela Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas para que hoje possam colher esse fruto que, a sue ver, foi um processo árduo do ponto de vista científico e por causas das exigências.

Cabo Verde apresentou em março de 2018 a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, cuja decisão pública deverá ser conhecida entre 09 e 14 de dezembro, em Bogotá, Colômbia, durante a reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da UNESCO.

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