Abraão Vicente começou por assegurar que no dia 12 de Dezembro a morna vai ser proclamada património da humanidade, porque “este não é um processo que o Ministério da Cultura fez com base em achismos, opiniões ou impressões”, mas sim, um projecto “técnico e impecavelmente entregue”.

“Temos uma equipa super competente de técnicos cabo-verdianos, que entregou na UNESCO uma candidatura impecável”, elogiou, antes de acrescentar que Mindelo deverá ser o “coração da celebração” no dia da proclamação, assim como está no “coração das dinâmicas e nas políticas culturais” do Governo.

O ministro fez estas considerações no acto abertura da feira URDI na noite desta quarta-feira, no Mindelo, evento que disse não ser por acaso que tem a música como tema, no caso “Música e poéticas visuais”, retratadas na mostra de produtos de cerca de 200 artesãos e outras actividades paralelas.

“Porque, é através da música que o nosso artesanato se projectará no mundo, é através da música que todas as expressões folclóricas, da banderona ao tabanca, san jon, batuque, todas as festas de Cabo Verde irão se projectar no mundo através da morna”, asseverou.

Uma projecção também feita, segundo a mesma fonte, através de Cesária Évora “como símbolo” da ilha de São Vicente, de Manuel Novas e de Bana, que terão dois bustos, já contratados, no próximo ano, em São Vicente.

“A celebração da morna como património da humanidade é a celebração de Mindelo, por excelência, como capital da cultura de Cabo Verde”, lançou, acrescentando que Mindelo é “especial” na cultura de Cabo Verde.

A cidade do Mindelo é o símbolo da cantora Cesária Évora, que por sua vez, di-lo Abraão Vicente, é símbolo do que o país deve projectar ao mundo,   “simplicidade e  talento”, disse o ministro da Cultura, para quem a  URDI faz-se às vésperas de Cabo Verde se inscrever na “alma do mundo”.

“E não tenho dúvidas de que o futuro de Mindelo passa 99% pela cultura, há-de vir zona económica exclusiva, há-de vir grandes projectos, mas Mindelo será sempre o sítio de onde Cabo Verde se irá projectar no mundo, através da sua alma, da sua cultura”, reiterou.

Por esta razão, Abraão Vicente exortou o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, a fazer de Mindelo a capital da morna, património imaterial da humanidade.

O autarca, por seu lado, sublinhou que a edilidade vai insistir em manter a sua programação cultural como uma das suas “áreas de referência e de identidade”.

O evento contou ainda com a participação do director do Centro Nacional de Artesanato e Design, Irlando Ferreira, que considerou ser a URDI, que decorre até sexta-feira, artesanato, design, música, conversas, partilha, experimentações, “no fundo uma partitura composta, uma multiplicidade de olhares, ideias e pessoas”.

Entretanto, a abertura ficou marcado por um incidente, antes dos actos cerimoniais, com um homem que, a princípio terá perturbações mentais, acendeu uma garrafa de gasolina com fósforo e que, segundo testemunhas oculares, poderia ter como alvo as autoridades sentadas à frente do palco.

Mas, este foi logo imobilizado e detido pela Polícia Nacional.

LN/AA

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