Abraão Vicente fez estas declarações durante a inauguração do busto de Ntoni Denti D'oru, na praça central de São Domingos, tendo na ocasião realçado que este gesto representa o reconhecimento pelo processo de liderança dessa figura cultural que formou uma geração de novos tradicionalistas e batucadeiras.

No dia que se comemora o Dia Nacional da Cultura, o Governo, segundo o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, escolheu homenagear a titulo póstumo a figura distinta que foi Ntoni Denti D'oru, rei do batuque e finaçon.

“O maior legado deixado por este grande homem é a formação, o facto de, permanentemente, ter formado mais batucadeiras, o seu legado é visível em todos os municípios de Santiago. A tristeza que fica é que esta homenagem quisemos fazer ainda quando estava vivo, mas infelizmente não foi possível porque acabou por falecer”, disse sublinhando que Ntoni Denti D'oru levou consigo o nome de São Domingos e Cabo Verde a todos os cantos que percorreu através da cultura.

Por seu turno, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que presidiu ao ato de inauguração do referido busto, salientou esta homenagem é um gesto que na sua opinião, pereniza a imagem e pessoas que contribuíram fortemente no desenvolvimento da cultura cabo-verdiana.

“Foi um grande homem que partiu recentemente e que teve um significado importante para São Domingos e Cabo Verde. Esse tipo de homenagem é uma das mias importante que se pode fazer a uma pessoa e daqui alguns anos teremos crianças e jovens que se interessarão em saber quem foi este homem”, disse o chefe do Governo, realçando, por outro lado, que o executivo está “fortemente engajado” em apostar na promoção e desenvolvimento da cultura em todas as dimensões.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de São Domingos, Clemente Garcia, afirmou que Ntoni Denti D'oru foi “um visionário dotado de uma grande sabedoria popular”, que “soube cantar como ninguém” um dos ritmos mais vivenciado em Santiago, que é o batuque e o “finaçon”.

A iniciativa, de acordo com o autarca, constitui um momento de orgulho, revelando que Ntoni Denti D'oru foi “figura impar” do panorama cultural a nível internacional, que, conforme revelou, lançou a semente e hoje São Domingos está a colher dos seus frutos.

“Com este presente, queremos manter viva a chama de Ntoni Denti D'oru, pois, a sua herança é o mais puro ouro da nossa idiossincrasia que nos faz rejubilar o presente e perspetivar o futuro. Com certeza, as futuras gerações saberão honrar a memória e reverenciar Ntoni Denti D´oru como parte importante da cultura cabo-verdiana”, asseverou.

Nascido a 15 de fevereiro de 1926, Ntoni Denti D’Oru é reconhecido por todo o trabalho que desenvolveu em torno das duas expressões musicais, o batuco e o “finason”.

Ao logo da sua vida nunca abandonou estas duas formas de “brincar”, tanto que estava entre os poucos que dominavam os segredos desta arte e são muitos os jovens que recorrem a ele e se enriquecem, na tentativa de evitar o desaparecimento do batuco.

Proveniente de uma família pobre de lavradores, desde criança foi muito ligado ao seu torrão e à sua cultura, o que faz dele um personagem de destaque no ambiente cultural, especialmente em tudo que se referia ao batuco, uma das expressões musicais mais antigas de Cabo Verde.

Durante vários anos, Ntoni Denti D’Oru percorreu toda a ilha de Santiago, assim como outras ilhas de Cabo Verde, animando as festas populares, os batizados, noivados e casamentos.

Em 1973, tentou a sorte no exterior, mas a 25 de abril de 1974, decide retornar a Cabo Verde para esperar pela independência do país, que viria a acontecer a 05 de julho de 1975.

Após o lançamento de seu primeiro disco, em 1998, Ntoni Denti D'oru retornou à Europa e viajou também para os Estados Unidos, para promover o seu trabalho.

Ntoni Denti D’Oru, faleceu a 26 de setembro último, vítima de doença prolongada.

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