Em declarações à Inforpress, no âmbito do aniversário de passamento de Cesária Évora, que se assinala hoje, 17 de dezembro, o ministro da Cultura e das Industrias Criativas, Abraão Vicente, declarou que o contributo dado pela diva dos pés descalços vai muito mais além do campo cultural.

Para este governante, Cesária Évora é uma das grandes vozes nacionais que elevou o nome de Cabo Verde e da cultura cabo-verdiana aos quatro cantos do mundo, permitindo que o arquipélago fosse conhecido e reconhecido mundialmente.

“Cesária Évora é a bandeira que nos deu visibilidade e representou um marco alto no processo de internacionalização do nome de Cabo Verde. Em muito países do mundo, Cabo Verde é Cesária Évora”, declarou.

No que se refere às iniciativas do Governo no sentido de preservar e valorizar a memória e a obra deixada pelos grandes nomes da cultura cabo-verdiana, Abraão Vicente lembrou que a prioridade nestes últimos dois anos tem sido a de investir na reabilitação patrimonial, da consolidação das instituições culturais e da criação de processo que, sustentou, visem ter uma maior eficiência na gestão do orçamento do setor da cultura.

O ministro da Cultura garantiu neste sentido que futuramente o Governo pretende levar a cabo acções que dignifiquem a memória da Cesária Évora, afirmando neste contexto que o tempo é a maior consciência do papel de Cesária na afirmação de Cabo Verde no mundo e que levará que o Estado venha a ter atos mais concretos para uma maior dignificação do seu legado.

Cesária Évora nasceu a 27 de agosto de 1941, no Mindelo. Foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda a história da música popular cabo-verdiana.

Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a Morna, por isso também apelidada de “rainha da Morna” e era conhecida como a diva dos pés descalços.

Ao longo da sua carreira, Cesária editou 24 discos, entre originais, parcerias com outros artistas – como Caetano Veloso e Marisa Monte – e espectáculos ao vivo. ‘Sodade’ era a sua música mais célebre.

Em 1988 grava “La diva aux pied “, em 1992 “Miss Perfumado” e aos 47 anos torna-se uma “estrela” internacional no mundo da world music, fazendo parcerias com importantes músicos e pisando os mais prestigiados palcos.

Em 2004, Cesária Évora venceu o Grammy de Melhor Álbum World Music Contemporâneo, com “Voz d’Amor” e foi condecorada, em 2007, pelo então Presidente francês Jaques Chirac, com a Legião de Honra de França, país onde encetou a sua carreira internacional, tornando-se a voz cabo-verdiana mais conhecida no mundo.

Foi também homenageada em Cabo Verde, com um prémio carreira na gala dos Cabo Verde Music Awards.

Em 2008 sofreu um AVC, durante um espetáculo na Austrália e foi submetida a uma operação ao coração.

O antigo presidente francês, Nicolas Sarkozy distinguiu-a, em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel.

Em setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a editora, Lusafrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na longa carreira.

Morreu no dia 17 de dezembro de 2011, com 70 anos, por “insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada”.