Mayra Priscila Silva Neves é a vencedora da primeira edição do “Voice One”, um programa produzido pela Prisma Vídeos. À conversa com o SAPO, a jovem de 18 anos revelou que participar do programa foi uma boa experiência, mas diz que não foi o que estava à espera.

A jovem natural da Praia começou a dar os primeiros passos na música aos 13 anos na cidade de Mindelo, onde vivia com a avó. “Tudo começou como uma brincadeira. Os meus colegas pediram-me para cantar uma música e ficaram impressionados com a minha voz. E a partir daí, vi que realmente sabia cantar. Aos 13 anos, entrei no grupo de coral da Escola Secundária Jorge Barbosa, onde aprendi várias técnicas e fui desenvolvendo o gosto pela música. Depois, formei uma banda e passei a atuar no Bar/Livraria Nhô Djunga e passei a ser conhecida no Mindelo”.

Mais tarde, com o falecimento da avó, a jovem regressou para a capital do país, onde conheceu o professor e baixista Leno Tavares com quem realizou o primeiro concerto no Palácio da Cultura Ildo Lobo, juntamente, com a banda Bons Amigos.

Apaixonada pela música, Mayra Neves chegou a participar no concurso “Pequenos Cantores”, na Praia, tendo ficado no terceiro lugar. “Foi uma boa experiência, aprendi muito e fiz muitas amizades”, salienta.

Em abril deste ano, a jovem cantora e compositora participou e venceu o programa “Voice One”. “Participei porque vi o programa como uma oportunidade para divulgar o meu talento”.

Mayra Neves disse ao SAPO que participar do programa foi uma boa experiência, mas não foi o que estava à espera. “Sendo a primeira edição, achei uma boa ideia mas não foi o que estava à espera. Queria fazer uma atuação acompanhada por um grupo de coral, mas a organização não tinha condições. Não havia efeitos especiais. Tendo em conta que não temos meios no país, acho que fizeram o melhor e conseguiram melhorar durante as galas. O “Voice One” foi uma boa iniciativa, mas penso que podem fazer mais e melhor nas próximas edições”.

No que tange à orientação musical, a jovem cantora diz que os concorrentes estavam à espera de mais por parte dos artistas Khaly Angel e Djam Neguim. “Geralmente, em concursos de música há orientação ao nível da voz e performance por parte de profissionais da área, algo que não tivemos no programa. Djam Neguim canta, dança, (…). Faz muita coisa ao mesmo tempo, tem experiência de palco, mas a sua função não é orientar. O facto de ser um artista não quer dizer que está preparado para dar a orientação que estávamos a precisar. Já com o Khaly Angel foi fácil de  trabalhar”, diz e acrescenta que ambos os artistas deram-lhes todo o apoio dentro das suas possibilidades, mas espera que nas próximas edições haja mais condições.

Vencer o “Voice One” foi um momento marcante para Mayra Neves. “Fique muito feliz. Foi um mês de muito trabalho onde tinha que conciliar os estudos com as galas”, salienta a jovem que estuda o 11º ano de escolaridade.

Como prémio a jovem artista ganhou um contrato de um ano na produtora Harmonia e vai representar Cabo Verde no Festival Boreal que acontece no mês de setembro nas Canárias. “É a primeira vez que estou a sair de Cabo Verde, ainda por cima para ir representar o meu país num festival e vou mostrar o meu talento. Muito dizem que o arquipélago não é desenvolvido e não tem nada, mas tem uma cultura rica”.

“Sou uma artista diversificada”

Não há um estilo que identifique Mayra Neves. “Gosto tanto de cantar jazz, reggae, como gosto de cantar hip hop e blues. O meu objetivo é ser uma artista completa na música. Não quero me limitar a minha cabeça e dizer que gosto de determinado género, nem quero ser classificada como uma cantora de jazz, blues ou kizomba. Posso cantar de tudo um pouco. Se posso cantar em todos os estilos porque vou escolher apenas um? “, diz e acrescenta que é uma artista diversificada.

Questionada sobre os planos para o futuro a jovem cantora e compositora diz que está a preparar o seu primeiro álbum e pretende lançar ainda este ano o seu primeiro single.

“Estou a trabalhar com FTR Fidjo Txada Records que foi criada por Danilo Dédé que quer patrocinar-me um CD. Quero ver como é que vai ser, uma vez que, assinei um contrato com a produtora Harmonia e às vezes há restrições. Por agora, quero focar-me em lançar o meu álbum composto por composições da minha autoria. O CD será diversificado, onde vou mostrar todo o meu talento”, conclui.