Um ano após a morte da mulher e filho, durante o trabalho de parto, o autor das composições “Txika” e “É Zonban”, interpretadas pela cantora Elida Almeida, Manú Reis resolveu retomar a sua carreira musical, gravando os temas “Sem Sentido” e “Nha Melodia” que já estão disponíveis nas plataformas digitais.

Estes dois ‘singles’, segundo disse à Inforpress, têm uma “enorme carga sentimental” e são uma homenagem à falecida mulher.

“Sem sentido foi uma música muito complicada para compor. Escrevi-a na pior fase da minha vida, porque tive uma perda. Estava na minha melancolia, foi complicado, mas garças a Deus consegui tirar para fora, não tudo, mas um pouco, a minha dor”, contou.

O tema teve a colaboração do rapper Batchart, um artista para quem a sua mulher tinha uma “enorme admiração”, que por sua vez lhe ajudou a transpor toda a sua mágoa na música.

O ‘single’ “Nha Melodia”, explicou, foi uma composição feita por ele e pela mulher, mas que ao gravar teve que fazer algumas alterações, adaptando algumas partes para traduzir o seu sentimento no momento.

Depois desses dois temas, Manú Reis, nome artístico de Carlos Reis, pretende lançar aos poucos nas plataformas digitais novas músicas, que irão fazer parte do seu primeiro álbum, previsto para sair no mercado em 2020.

Álbum este que iniciou em 2017 com Soraia Reis, mas, devido ao seu falecimento deixou guardado na gaveta e agora decidiu dar continuidade.

Este jovem revelou à Inforpress que todo o afeto que tinha pela mulher e companheira de música está a ser canalizado na música e na produção deste álbum, que dedica à esposa com quem teve um relacionamento de 12 anos.

“Aquele apego que eu tinha por ela e na minha família é o que eu estou a transportar para a música. A música acaba por preencher e é uma coisa que faço com amor e que me tem ajudado de certa forma porque quando estou a escrever ou estou no estúdio sinto um prazer, então de certa forma está a ajudar-me bastante”, enfatizou.

Informou que 70 por cento (%) das músicas já estão gravadas e que, neste momento, está a analisar, de entre muitas outras composições, quais deverão incluir no CD.

O álbum vai conter dois temas que gravaram juntos, como “Razão de um Razão” e “Mamai”, e terá o estilo “Manú & Soraia”, isto é, músicas tradicionais misturadas com o “hip hop”, sertanejo, batuco, morna, coladeira.

Manú Reis descreve a falecida mulher como uma jovem de “mente brilhante e crítica da música” e que foi graças ao apoio dela que começou a acreditar no seu trabalho.

“O que eu sou hoje como artista devo 80% a Soraia. Era uma pessoa que sempre acreditava em mim. Ela era bastante crítica e aprendi muito com ela. Ela foi bastante influente na minha vida e para aquilo que sou hoje como músico”, disse, lamentando o facto de muitos cabo-verdianos não terem a oportunidade de conhecê-la como artista.

Instado como é que sente quando vê artistas como Elida Almeida e Djodje a interpretar as suas composições, Manú Reis disse que ser “muito gratificante” ver que eles estão a levar as suas músicas para lugares que ele, neste momento, não poderia levar.

“Quando Elida canta a minha música e quando a vejo no palco na China, nos Estados Unidos da América e noutros países, e o público a cantar com ela, o meu coração fica alegre porque é uma criação que fiz que estão em lugares que eu ainda não pisei”, disse, realçando que o reconhecimento do público é mais gratificante do que direitos autorais.

Manú Reis, natural da Ilha de Santiago, cresceu num ambiente de música, uma vez que o seu pai, José Soares, gostava de fazer tocatinas em casa com os seus amigos.

A afinidade pela guitarra, contou, começou depois que o seu irmão trouxe este instrumento do Luxemburgo, que lhe permitiu tocar todas às noites até aprender alguns acordeões.

Manú participou no projectoVerão 2008”, juntamente com a companheira Sorsia Reis, com o tema “Baby bye bye”, depois participou no concurso “Talentu Strela 3”, realizado em 2013, pela GMS Produções. Chegou à final, mas não venceu o concurso.

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