E conversa com a Inforpress, Tibau Tavares assegurou que a efeméride significa o dia da “condecoração” do compositor, aquele que, na sua opinião, é o criador, alguém que fornece ao intérprete as composições para que quando este esteja no palco tenha algo para agradar o público.

Para Tibau Tavares, em Cabo Verde ainda o compositor colocado ainda num lugar “secundário”, visto que ao interprete é dado mais valor, justificando que “nem sempre o compositor está no palco a cantar a sua própria música.

“Tenho vários exemplos do tipo, em que alguém me solicita para acompanha-lo a cantar música de tal interprete que cantou tal música, esquecendo -sede quem realmente o compositou”.

Neste particular, exorta a comunicação social, nomeadamente a rádio e televisão que divulguem mais o nome do compositor, alguém que considerou ter hoje a obrigação e responsabilidade de ser “universal”, fazendo composições que transcendam o lugar onde vive.

Como exemplo, disse que “há bem pouco tempo” lhe solicitaram para fazer uma composição para o “maior festival da música Africana na Alemanha, cujo nome foi wonderfull África, música”.

O artista afiançou ainda que gosta de acrescentar algum arranjo diferente nas suas composições, de forma a diferenciar aos demais, lembrando que o cantor Kinzinho Barros foi o primeiro a gravar as suas músicas.

Lembrou, entretanto que a música “tradição” , cantada por Gabriela Mendes , foi a que deu o maior empurrão para a sua aparição no mercado musical como compositor e que mais tarde, a Lura , com as músicas “Ponciana e Azágua” e depois Zizi Vaz, com “ noite de Porto Inglês”, vieram consolidar o seu nome.

Tibau Tavares desabafou dizendo que “sentimos uma febre quando vem uma inspiração para compor uma música”, por isso sente “a necessidade de se refugiar para poder compositar aquela música.

Para o artista, é por isso que um “compositor precisa do seu espaço íntimo para criar e depois aparecer junto à multidão, o que nem sempre é entendido pelas pessoas”.

Informou ainda que até final deste ano vai sair mais um álbum seu, desta vez mais tradicional do que as anteriores, porque vai ser acompanhado por uma orquestra da Áustria, cujo titulo vai ser Munganga ,que significa choro de escravo, um nome que descobriu na Holanda, quando foi actuar num teatro cujo proprietário é brasileiro e que lhe explicou a origem desta palavra.

O artista maiense disse depositar muita esperança na Sociedade Cabo-verdiana de Música, no que tange à cobrança dos direitos autorais, como forma de valorização dos compositores cabo-verdianos, de modo a que estes possam usufruir das suas criações.

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