A primeira noite paga do Kriol Jazz Festival 2019 começou na sexta-feira, dia 12, por volta das 20h20. O brasileiro Zeca Pagodinho encheu a Praça Luís Camões, no Platô, com samba numa noite que foi dominada por ritmos da lusofonia mas terminou com os cubanos El Comité.

Quando o sambista brasileiro Zeca Pagodinho, nome artístico de Jessé Gomes da Silva Filho, e a sua banda de 12 elementos subiram ao palco, a plateia já estava bastante composta e ansiosa para a chegada do músico.  Sempre interativo e brincalhão, o artista afirmou que “estava nervoso afinal esta era a sua primeira vez em Cabo Verde”.

Zeca Pagodinho interpretou vários dos temas que marcam a sua carreira de três décadas e centenas, dos mais jovens aos mais séniores, cantaram em unissono músicas como “Ogum”, “Deixa a Vida me Levar”, “Descobri que te Amo Demais” (música que dedicou ao povo cabo-verdiano”, entre outros.

Entusiasmado, no final o artista até ofereceu o seu copo de vinho para a plateia.

Pouco passava das 22h00 quando Tito Paris subiu ao palco do Kriol Jazz Festival e foi recebido com aplausos por parte dos presentes. O músico, acompanhado pelo seu violão, começou a noite com “Morna”, mas terminou num registo bem mais animado, mas igualmente simbólico, com o tema “Dança ma Mi Criola”.

Tito Paris intercalou os grandes sucessos da sua carreira, que marcaram uma geração, com temas do último álbum “Mi ê bô”, em que o tema homónimo também foi interpretado pelo cantor.

O músico que enalteceu o país várias vezes ao longo da noite interpretou canções como “Um cria ser poeta”, de Paulino Vieira, “Nha Pretinha” e “Padoce di Céu Azul” que fizeram o público viajar no tempo com alguma nostalgia.

A Praça Luís Camões foi quase pequena para tantos entusiastas musicais que se deslocaram ao recinto para assistir à 11ª edição do evento que já faz parte da agenda cultural da cidade da Praia.

Já o relógio passava das 23h00 quando o projeto “D’alma Lusa” subia ao palco com um show de vozes lusófonos de quase todos os cantinhos da CPLP. Pelo palco passou o saxofonista moçambicano Otis, a bem conhecida em Cabo Verde Karyna Gomes, a representar a Guiné-Bissau, e que interpretou um tema com o salense Mirri Lobo.

O cantor cabo-verdiano dividiu também o palco com a fadista portuguesa Cuca Roseta que passou o testemunho a Anabela Aya, cantora angolana dona de uma poderosa e versátil voz. A artista de Angola chegou a dividir o palco com a brasileira Roberta Campos, autora do tema “Minha Felicidade”, entre outras músicas que marcam as atuais novelas brasileiras.

A atuação “D’alma Lusa” chegou ao fim com a interpretação de nada mais que o tema “Sodade”, uma palavra que simbolicamente expressa um sentimento muito comum à comunidade lusófona.

A noite já ia longa quando os cubanos “El Comité” subiram ao palco para trazer ritmos do jazz latino ao público da praça. Formado por sete elementos, cada um com a sua mestria instrumental do baixo ao piano, o “El Comité” mostrou-se entusiasmado por ter sido tão bem recebido pelo público praiense e animou os presentes até às 02h00 da manhã.

A noite da 11ª edição que homenageia Pedro Rodrigues e Daniel Rendall prosseguiu numa jam session num dos espaços noturnos da capital.

O arranque do segundo dia do evento, sábado, está previsto para as 21h00 e conta com as apresentações de Stanley Clarke, Elida Almeida e Tiloun, Mayra Andrade e Lucky Peterson.