Em declarações à Inforpress, o autor explicou que além de falar dos desafios dos media na era digital, o livro contém, também, tópicos sobre as soluções e ferramentas para a verificação das informações que circulam nos media tradicionais e nas redes sociais.

Conforme o autor, trata-se de uma investigação, cujo objectivo é contribuir para que os cidadãos, “neste contexto de desordem de informação”, possam assumir uma postura crítica perante o consumo das informações, de forma a conseguirem distinguir, por um lado, o jornalismo profissional e notícias credíveis, e do outro, notícias falsas e “informação que finge ser jornalismo sério”.

“Creio que o mais importante que o livro ressalta é a compreensão da necessidade de se consumir as notícias de forma criteriosa, isto é, compreender que as notícias são construções humanas e não a realidade. E como construções humanas são susceptíveis a erros cometidos, na maior parte das vezes de forma inconsciente, mas outras vezes de forma consciente”, declarou.

Conforme mostrou, a obra evidencia ainda que esta era, “por muitos chamada era da pós-verdade”, é também uma oportunidade para os órgãos tradicionais de comunicação social mostrarem à sociedade que a sua missão se justifica mais do que nunca, e que ela é fundamental para garantir a verdade dos factos.

“Mas, para isso, o jornalismo profissional precisa saber contornar a “armadilha” que esta era digital apresenta que é a rapidez e a facilidade que oferece para se publicar a toda hora e quase de forma instantânea. E pode contornar isso, por um lado, recorrendo às velhas armas do jornalismo que são: a verificação dos factos antes de as publicar, a separação dos factos das opiniões, a capacidade de ser confiável e de se responsabilizar pelo que publica”, defendeu.

No entender de Humberto Santos, é necessário que as redacções se reorganizem, de forma a poderem fazer o seu trabalho de verificação dos factos, desmascarando as informações falsas.

Neste sentido, o mesmo propôs dotar as redacções com profissionais com outras valências, nomeadamente arquivistas, juristas, programadores de base de dados, entre outros, para apoiarem os jornalistas nas suas tarefas.

Por outro lado, defendeu a necessidade de os media tradicionais implementarem programas dedicados ao fack-check e literacia mediática.

O livro está estruturado em forma de pergunta e resposta para facilitar a compreensão dos assuntos abordados, aproveitando para fazer um alerta sobre o comportamento nas redes sociais, onde “circulam muitos fake news”.

Humberto Santos considera que a abrangência do termo ‘fake news’ vai além do que a tradução ao pé da letra possa sugerir – notícias falsas, pois, no seu entender, é utilizado para se referir à muita coisa desde boato, rumor, manipulação, distorção, à opinião disfarçada de notícia, entre outras coisas.

“Mas também é muito utilizado hoje como arma política contra os media e seus jornalistas e para os políticos se desculparem, isto é, se um político não concorda com uma notícia mesmo que verdadeira já vai dizendo que se trata fake news”, frisou.

Após a apresentação do seu primeiro livro, Humberto Santos pretende lançar mais duas obras sobre a mesma temática, sendo uma para aprofundar a questão da segurança e perigos das redes sociais para jovens e adolescentes e outra sobre estratégias de ensino da literacia mediática, para ser utilizada nas salas de aula.

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