Com um cartaz recheado de grandes artistas, o primeiro dia pago do Kriol Jazz Festival arrancou com a atuação de Mário Lúcio que deliciou o público com o seu “Funanight”. Nathalie Natiembé, das ilhas Reunião, fascinou todos com a sua poderosa voz e Stanley Jordan levou o público a viajar pelas melodias da fusão da sua guitarra e da percussão de Thunder Duo. Para fechar a noite, o tão aguardado artista brasileiro Seu Jorge cantou e encantou.

A hora marcada Julieta Tavares, a apresentadora do certame, anunciou a atuação de Mário Lúcio que participa pela segunda vez no Kriol Jazz, já que tinha participado na primeira edição do festival.

“Dez anos depois volto para ver a dimensão que o festival ganhou e serviu também para ver o meu próprio crescimento pessoal e artístico”, disse Mário Lúcio. “Coincidiu que na décima edição tivesse um álbum que me foi dado pelos anjos, é um disco que me ultrapassa”, acrescentou.

O espetáculo, muito aplaudido pelo público presente, juntou vários géneros num mesmo palco: funaná, heavy metal, reggae, entre outros e ainda partilhou o palco com Zeca di Nha Reinalda.

“Sempre espero uma boa reação do público porque quando subimos ao palco, eu e a minha banda, entregamo-nos por completo. Nada daquilo foi pensado, é natural e não tem como não gostar (…) Estou aberto a toda a criatividade humana. Não podemos ter limites, é também uma forma de respeito pelos vários géneros. Essa abertura é a riqueza da música de Cabo Verde”, disse aos jornalistas no fim do show.

Djô da Silva: Teremos grandes shows e muitas surpresas nesses dois dias

Nathalie Natiembé foi a artista que se seguiu e pela primeira vez em Cabo Verde brindou os presentes com uma atuação carregada de espiritualidade. Dona de uma voz poderosa emanou os presentes a uma viagem pelas suas palavras e sons que traduzem a sua jornada de vida.

“Este é um projeto novo e esta é a terceira vez que o apresentamos ao público e acho que agradou já que aplaudiram de pé e acredito que foi verdadeiro”, disse sorridente.

Durante o espetáculo, Nathalie revelou que tem um sentimento especial pela Cesária Évora. “É a minha primeira vez em Cabo Verde e só consigo pensar na Cesária Évora. Espiritualmente ela me inspirou”.

E no fim do espetáculo explicou: “Cruzamos (eu e Cesária) em alguns festivais. Era uma senhora que me inspirou espiritualmente e que guardo no meu coração. Ensinou-me a ter pensamentos positivos e a ser uma mulher forte”.

Um dos mais importantes guitarristas do século XX subiu mais uma vez no palco do Kriol Jazz Festival. Stanley Jordan, acompanhado pelo grupo Thunder Duo, deliciou os presentes com o seu dedilhar ímpar na guitarra e no piano juntando a percussão ritmada dos Thunder Duo.

“Estou muito feliz por voltar aqui, dessa vez com o Kornel Horvan e a sua banda e foi fantástico. Estava nervoso antes de subir ao palco porque pela primeira vez ia tocar aqui com percussão, normalmente faço dueto com baixo, mas quando começamos sentimos a energia do público e foi fácil”.

O cantor foi ainda surpreendido por uma fã que pediu um autógrafo, depois do espetáculo, em discos vinil do cantor que guarda “com muito carinho”. “Não fazia ideia que tinha tantos fãs em Cabo Verde”, disse.

E a atuação mais aguardada fechou em grande a noite. Seu Jorge, com o seu estilo versátil, trouxe ritmos do Brasil para o palco do Kriol Jazz Festival. “Mina do condomínio”, "É isso aí", “Amiga da minha Mulher”, “Tive razão” e “Carolina” foram alguns dos temas que interpretou.

Seu Jorge trouxe consigo dois artistas baianos que o acompanharam na percussão e num dos momentos altos da atuação tocaram temas ao ritmo do semba. O público estava muito animado e cantava em coro todas as músicas.

“É um sonho realizado estar aqui… numa terra onde se vê amor pela música. Estou muito feliz”, disse durante o espetáculo.

Foi uma hora e meia de espetáculo que soube a pouco aos presentes que pediam mais e esperavam pelos menos um "bis".

Para o produtor Djô da Silva, o Kriol Jazz 2018 vai ser o melhor dos últimos anos. “Teremos grandes shows e muitas surpresas”.

“Estamos muito satisfeitos. Este ano foi o maior orçamento que já tivemos, passamos aos 27 mil contos, é portanto um desafio grande. Felizmente, o público fez questão de estar presente, vendemos muitos bilhetes, teremos dois dias de casa cheia e isso vai nos ajudar a cobrir o investimento. Só com os patrocinadores e o apoio da Câmara não conseguiríamos cobrir o montante”, revelou.

Djô da Silva lembrou ainda como tudo começou: “Começamos o Kriol Jazz como uma brincadeira, eu e o Mário Lúcio, e nunca pensamos que iria chegar a 10ª edição. Hoje é um projeto sólido, com uma equipa que trabalha com muito amor e creio que isso não vai parar de um dia para o outro”, terminou.

O certame continua este sábado, 21, com as atuações de Sara Tavares, Ayo, Bantu e Kriol Band.

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