A cantora cabo-verdiana Albertina Rodrigues, mais conhecida por Titina, esteve na capital no âmbito da homenagem prestada pela SOCA pelo seu contributo na divulgação da música cabo-verdiana pelo mundo.

Em entrevista ao SAPO, Titina enaltece o gesto da Sociedade Cabo-verdiana de Autores. “São pessoas simpatiquíssimas e carinhosas que me têm dado todo o apoio, toda a atenção, tudo o que era necessário. Quero agradecer a amabilidade e atenção que tiveram comigo nesta vinda cá … não estava à espera. Digo-lhe, muito sinceramente, não merecia tanto. Senti-me muito lisonjeada e não estava à espera de tanto. Estou feliz com tudo o que me aconteceu”, frisa.

Quanto à gala de homenagem a cantora refere que foi “muito bom” estar de volta a aquele palco onde já esteve por diversas vezes e ao lado de outros colegas da música, alguns com quem convive sempre. “Estamos sempre juntos, com muita fraternidade, e por isso estivemos muito bem, como aliás sempre que nos encontramos. Rimos de coisas de nada … como crianças”, sorri.

Da noite de celebração apenas lamenta a ausência de algumas pessoas e, principalmente, a do Ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Abraão Vicente. “Lamentei muito a ausência de algumas pessoas. Esteve presente muita gente mas, quanto a mim, faltou uma determinada pessoa. Pessoas de direito que deviam lá estar … O Ministro da Cultura, por exemplo. Isso magoou-me pois achei que foi uma falta de consideração. Ele devia ter um bocadinho mais de atenção na forma como lida com as pessoas em determinados momentos. Sendo Ministro da Cultura, a sua ausência foi sentida. Era o dever dele estar lá”, diz sentida.

Titina, que reside há largos anos em Portugal, aproveitou a estadia em Cabo Verde para dar um salto até Santo Antão mas também visitar, na Praia, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca. “Estou habituada a que as pessoas me acarinhem muito. Por exemplo o Presidente da República já temos uma vivência muito longa”, conta.

“A morna é a minha vida e faz parte de mim”

Foi com agrado que a cantora recebeu a notícia da aprovação da data de 3 de dezembro como Dia Nacional da Morna. Titina apoia a candidatura à Comissão de avaliação da UNESCO da morna a Património Imaterial da Humanidade.

“No dia em que eu vi em Portugal, nas televisões e nas rádios, que o Fado já era Património Mundial pensei: ‘um dia será a nossa vez e um dia a nossa morna chega lá’. Fiquei contente com a institucionalização desta data e, daqui para a frente, só espero que façam coisas boas. No caso da morna era importante que as pessoas não se esquecessem e soubessem respeitá-la”.

Titina é mais conhecida pelas suas mornas e coladeiras e conta que desde os seus seis anos que convive com a morna. “A morna sempre existiu dentro de mim, com essa força. Dizem que a minha mãe cantava muito melhor que eu … e estava sempre a cantar. De modo que a morna sempre esteve e está comigo. Se estou triste canto, canto muito. Mas também se estou alegre ajo da mesma maneira. A morna é a minha vida e faz parte de mim. Se há um dia em que não canto, começo a pensar que algo não está bem”, explica.

Está de regresso a Portugal devido a outros compromissos que tem de honrar mas garante que, caso contrário, permaneceria em Cabo Verde por mais dias “com muito gosto”.