A conferência de imprensa que teve lugar esta manhã na cidade da Praia contou com a presença do produtor Gugas Veiga, Djô da Silva da Harmonia, Ana Maia e do vereador da CMP António Lopes da  Silva.

Perante uma plateia repleta de produtores, managers, artistas e agentes da cultura falaram dos últimos acontecimentos em torno do AME e o que se pode esperar do certame que irá prosseguir em 2018 nas mãos de privados.

Questionado se estaria ‘magoado’ com o ministro da Cultura Abraão Vicente, Djô da Silva, que lamenta o facto de não terem sido convidados a participar da decisão do ministério, frisa que não estão em causa problemas pessoais.

“O que tenho a dizer a Abraão Vicente, direi (diretamente) ao Abraão Vicente, mas ainda não chegou o momento. O que eu disse foi que fiquei magoado com a forma de comunicação do ministério porque tudo isto podia ser pensado de outra forma e feito com antecedência. Eu pedi antes de ir à Womex que fosse tomada uma decisão para que chegássemos à Womex com um modelo. Chegámos à Womex sem decisão e isso não gostei. Foi um tiro no pé”, sublinha.

Djô da Silva garante que a Harmonia nada tem contra a privatização do certame, antes pelo contrário. “Foi algo que, aliás, no início do ano propusemos ao ministro do momento mas que não foi aceite”, explica.

Relativamente às contas do AME, o produtor salienta que “todos os anos a Harmonia entregou as contas ao Ministério da Cultura, as contas foram aceites assim como um relatório que foi feito todos os anos”. “O ministério tem todos os documentos, todas as faturas, desses cinco anos. A Harmonia tem carregado o AME às costas visto que nunca o ministério pagou à empresa o dinheiro a tempo. A maior parte das vezes tínhamos que ser nós a desembolsar para só depois recebermos dinheiro, muitas vezes com 6 meses de atraso”, desvenda.

A partir de agora, Djô da Silva sai completamente da organização dado a outras funções que acumula e o impedem de fazer parte mas garante que a nova organização conta inteiramente com o seu apoio e com a equipa da Harmonia que faz parte do consórcio.

“Estou contente com este grupo de produtores que já se juntou para fazer o AME, acho que são muito corajosos pelo ambiente que temos em Cabo Verde. Desejamos muita sorte e força e podem contar comigo em qualquer momento que precisem”, remata.

MCIC cede a marca AME

Gugas Veiga assume a pasta de Diretor Geral do AME e irá liderar uma associação de dez produtoras nacionais, que mobilizam cerca de 30 a 40 pessoas, que se uniram para dar seguimento ao certame. São elas: CJ Artikul, O2, Artemédia, AV Produções, Smile Eventos, DEventos, Harmonia, Sigui Sabura, Staff Promo, Ritmo e Som.

“Com estes dez, como núcleo inicial, formamos uma comissão instaladora com quatro empresas e estamos a trabalhar há menos de uma semana para pôr as coisas de pé. Felizmente recebemos vários apoios que nos permitem sonhar em realmente avançar com o evento”, explicou em conferência de imprensa.

A essa associação junta-se então a Câmara Municipal da Praia como parceira mas também Ana Maia, que trabalhou até abril último no Ministério da Cultura e que nesses cinco anos administrou o Atlantic Music Expo. “A experiência dela para nós é extremamente últil. Aceitou o nosso convite e vai trabalhar connosco a nível da Administração”, justifica Gugas Veiga.

Outros parceiros certos são, até o momento a SACEM que se mostrou disponível para apoiar financeiramente e com artistas o AME, mas também o Governo, que disponibilizou, através do Fundo do Turismo, uma verba anual para o evento.

Gugas Veiga assume que estão “extremamente atrasados” quanto aos preparativos do certame uma vez que, por exemplo, em outubro já deviam ter fechado as inscrições para os artistas internacionais. “Vamos ter que trabalhar rápido para conseguir cumprir os prazos”.

Segundo Gugas Veiga o grupo está a aguardar a posição da Womex, que já se mostrou solidária com o grupo, mas que ainda não afirmou se irá colaborar com o AME no próximo ano. “Em princípio há interesse em participar tecnicamente connosco”. Salvaguarda que o grupo, recém formado, não tem qualquer responsabilidade quanto à relação do ministério da cultura com o Womex.

“Está claro que a comunicação do ministério falhou redondamente. Nós não devíamos sequer estar aqui. Devíamos ter resolvido esta situação muito antes. Não devia ter chegado a este ponto, através de recados, comunicação social ou através do Facebook”, acentua.

Falando em orçamentos, não há ainda o valor exato do montante que a CMP disponibilizará para a realização do AME 2018. Quanto ao Governo, através do Fundo do Turismo, deverá chegar aos 10 mil contos, cerca de metade do orçamento global de 22 mil contos de que fala o MCIC.

Depois das polémicas que têm surgido em torno da continuidade do AME, o vereador da CMP, António Lopes da Silva, garante que “não estão aqui a substituir nenhum governo”. “Nós sempre fomos parceiros do AME através do Kriol Jazz Festival. Sempre acreditamos que o AME é um evento importante para a Praia, para a música cabo-verdiana e para Cabo Verde.  A Câmara assume-se como parceira e fará tudo para que o AME seja mais um sucesso. Estamos certos: vamos ter o AME e vamos ter um grande AME em 2018”, assegura.