O Governo  pretende capitalizar a imagem de Cesária Évora, a cantora de maior reconhecimento internacional do arquipélago, para promover novos artistas no estrangeiro.

O desafio consta do programa do Governo que será apresentando na próxima semana ao Parlamento, que adianta que a imagem da também conhecida como 'Diva dos pés Descalços' será usada para promover empresas de produção e espetáculos ligados à música, dança e teatro.

Após a tomada de posse do novo Governo cabo-verdiano, no dia 22 de abril, uma das primeiras ações do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, tutelado por Abraão Vicente, foi mudar a sua foto de perfil nas redes sociais para uma da Cesária Évora.

A acompanhar a foto da cantora, que morreu, aos 70 anos, no dia 17 de dezembro de 2011, há a seguinte frase: "Cesária Évora a nossa Diva Maior, a cara da nossa Cultura no Mundo. Nossa embaixadora hoje e sempre".

O Governo cabo-verdiano traça ainda como desafios, entre outros, a profissionalização do Carnaval "como uma das vertentes turísticas por excelência", multiplicação das formações nas mais diversas áreas e transformar o país "num centro internacional de artes".

Apostando em transformar a cultura numa fonte de geração de riqueza e empregos, o Executivo indica que, nos próximos temos, o país vai redefinir, reenquadrar e dar nova dimensão ao papel da área, "que já provou ser um dos poucos setores de internacionalização do país".

Como instrumentos de política, pretende criar um Fórum Permanente de Cultura, um Plano Estratégico de Desenvolvimento Cultural e um Conservatório da Música.

A nível do financiamento, promete criar um Fundo Nacional de Cultura, que será suportado pelo Estado, empresas e cooperação internacional, e uma linha de crédito que facilitará o acesso ao financiamento de projetos por parte de artistas e fazedores de cultura.

Na música, a principal manifestação cultural do país, o Governo promete criar um Estúdio de Gravação de qualidade internacional, para os artistas gravarem mais no país e também atrair grandes músicos e grandes estrelas internacionais também para gravarem no país.

Também aposta na profissionalização e organização na área de espetáculos, como forma de "combater o informalismo" e, ao mesmo tempo, investir em salas e espaços para realização de espetáculos, para fazer face às carências existentes no país.

E as propostas são para a cidade da Praia, que precisa de uma sala com capacidade para 3.000 pessoas e Mindelo e Espargos para 1000 a 1500 pessoas.
Na nova estratégia para a música, o Governo quer ainda criar auditórios em todos os concelhos, incentivar a criação de escolas de bandas municipais em todos os municípios, incentivar a produção de instrumentos acústicos, bem como inventariar e publicar o património musical.

Na literatura, promete incentivos para estimular a leitura e reforçar a política editorial, instituir prémios literários nacionais, regionais e locais, descentralizar as feiras do livro, atribuição de bolsas de viagem, internacionalizar a literatura e seus autores, promover e incentivar a reedição de autores cabo-verdianos clássicos e fomentar a constituição de distribuidoras de livros.

No que diz respeito ao património, o Governo promete promover e salvaguardar os centros históricos, com destaque para a Cidade Velha, reabilitar edifícios antigos do Estado e passá-los para a tutela regionais, incentivar e apoiar na constituição de museus das cidades e do mar.

Garantindo que a dança será dinamizada, com tónica na formação e na educação, o Governo promete criar uma Companhia Nacional, introduzir a dança nas escolas, desde o pré-escolar ao secundário, bem como atribuir bolsas de estudo para frequência de cursos superiores.

O Governo cabo-verdiano pretende ainda introduzir o teatro escolar na disciplina de Educação Artística, bem como a criação do Teatro Nacional, institucionalização do prémio de Dramaturgia e multiplicar as formações na área.

O artesanato é outras das manifestações culturais que o Executivo de Ulisses Correia e Silva pretende apostar, aplicando um selo de qualidade e certificar o produto "Made in Cabo Verde".

Também quer apostar no marketing, na promoção de feiras, exposições, criação de espaços próprios para a venda dos produtos artesanais, capacitação dos jovens nas técnicas de produção do artesanato tradicional.

Para os próximos cinco anos tem ainda propostas para regulamentar as leis de incentivos fiscais e do mecenato, promover o turismo cultural, estimular financeira e promocionalmente a pintura, escultura e outras formas artísticas, bem como festivais musicais e festas de romaria.

Saiba mais no Especial Cesária Évora