Na sua mensagem alusiva à comemoração do Dia Nacional da Morna, Abraão Vicente, referiu-se que a morna faz parte da alma do povo cabo-verdiano e que está ligada à conquista da independência, na consagração da democracia, na jornada do desenvolvimento, da liberdade de pensamento e de expressão, na definição da diáspora e na definição da saudade e da diversidade.

Cabo Verde entregou no dia 26 de março, na Unesco, em Paris (França), o dossiê técnico que marca a inscrição da Morna como candidata a Património Imaterial da Humanidade.

Entretanto, antes da entrega desse processo, no mês de fevereiro, o parlamento cabo-verdiano aprovou por unanimidade o diploma que institui o Dia Nacional da Morna, em homenagem ao compositor B.Leza.

Hoje, pela primeira vez, o país assinala esta efeméride com várias atividades culturais, e segundo o ministro da Cultura, esse dia celebra-se “com olhos postos na consagração da morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade”.

“Celebramos B.Leza, celebramos os compositores cabo-verdianos, celebramos os intérpretes e os músicos cabo-verdianos. Em dezembro de 2019 temos um encontro marcado com a história para um momento em que todos nós sentiremos reforçados àquele sentimento forte e genuíno que nos canta baixinho ao ouvido da alma`N’ta xinti feliz de ter nascido cabo-verdiano´”, afirmou.

Em relação ao dossiê da candidatura, indicou que Cabo Verde apresentou um dossiê “irrepreensível” à Unesco, em que o formulário foi preenchido com assessoria técnica de técnicos nacionais e portugueses, foi feito um extenso levantamento nacional e recolha de consentimento dos autores e intérpretes nacionais.

Foi ainda produzido um vídeo representativo com dez imagens que “fossem simbolicamente fortes e portadoras da mística da Morna para Cabo Verde”, recordou.

O dossiê, garantiu o ministro, foi aceite “sem nenhum reparo” por parte da equipa técnica da Unesco, e está patente no site da organização.

“Este Governo fez, em tempo record, tudo o que já deveria ter sido feito há muito tempo: o cumprimento das formalidades da candidatura de Morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Não tenho dúvidas do empenho total e absoluto da diplomacia cabo-verdiana para se levar a bom porto o nosso desiderato”, sublinhou.

Segundo o ministro, agora cabe ao país garantir que a “boa vontade” demonstrada até este ponto pelos países amigos de Cabo Verde, se concretize numa dinâmica efetiva de influenciação e de conformação de vontade, para que na próxima reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da Unesco, a realizar na Colômbia, a morna seja consagrada Património Cultural Imaterial da Humanidade.