Em entrevista à Inforpress, o violinista, que se diz “apaixonado pela cultura cabo-verdiana”, afirmou que o seu primeiro álbum a solo terá 12 composições, sendo mornas e coladeiras de compositores como B.Léza, Eugénio Tavares e Manuel de Novas interpretadas ao violino.

Segundo o mesmo, este álbum tem um “sabor mais que especial” porque deseja através dele homenagear Cesária Évora, Diva da música cabo-verdiana que o ajudou a descobrir a música cabo-verdiana e com quem cultivou uma “profunda amizade.”

“No CD terá a morna Cise, cuja composição foi feita pelo Morgadinho. Muitas pessoas pensam que foi dedicada à cantora Cesária, mas o Morgadinho a fez pensando em outra Cesária. Mas, eu decidi integrá-lo especificamente para homenagear a Diva da música cabo-verdiana”, explicou o artista.

O disco começou a ser gravado em Lisboa (Portugal), no mês de novembro, mas o violinista decidiu vir a Cabo Verde ao encontro de “grandes nomes da música”, como os instrumentistas Bau e Zé Paris, para afinar este trabalho discográfico que deverá estar no mercado no verão.

“Tem coladeiras e, principalmente, mornas, a maioria já gravada por outros artistas como Cesária Évora ou Bana, mas dessa vez interpretada ao violino. A ideia é trabalhar com músicos reconhecidos na área tradicional, como o Bau que é uma referência para mim,” explicou em entrevista à Inforpress Martin Antoine Rose.

Com a ajuda desses artistas, Martin Rose quer mostrar um trabalho de “grande qualidade musical”, continuar “reviver a tradição de tocatinas” e ainda dar o seu contributo à morna, neste ano em que aumenta a expectativa para que este género do folclore musical do arquipélago seja reconhecido como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

O artista francês, que trabalha como supervisor bancário na Alemanha, contou à Inforpress que descobriu a música cabo-verdiana em 2001, tal como a maioria das pessoas no estrangeiro, depois de assistir a um concerto de Cesária Évora, em Paris (França), que o deixou “emocionado e apaixonado” pela morna.

“Desde essa época comecei a pesquisar sobre a música de Cabo Verde e sua cultura. Ouvia CD de Cize e não só e comprava todos os álbuns que encontrava. A partir de 2007 fui morar em Paris e entrei em contacto com vários músicos cabo-verdianos residentes em França e foi nessa altura que comecei a tocar música cabo-verdiana no violino”, revelou Martin Rose, que acrescentou que fez uma formação clássica antes de evoluir para a música tradicional cabo-verdiana.

Passou a assistir concertos da Cesária frequentemente. Conforme revelou, ao todo assistiu a pelo menos 15 concertos dela na Europa e no final de cada espetáculo fazia questão de ir cumprimentá-la.

“Acho que ela gostou do facto de um jovem não cabo-verdiano ter-se interessado pela música de Cabo Verde. Criamos uma amizade forte e passei a visitá-la em São Vicente também”, ajuntou.

No ano seguinte, prosseguiu, decidiu viajar para Cabo Verde e teve a oportunidade de conhecer amigos que moravam próximo à casa de Cesária Évora e, por isso, conseguia visitá-la sempre.

Para além de Cesária, Martin Rose também afirmou que cultiva uma amizade “muito especial” com a cantora Fantcha, uma das pupilas de Cise, com Nancy Vieira, Gutty Duarte, com o maestro Mick Lima, que lhe apresentou vários músicos cabo-verdianos com quem tem partilhado o palco em concertos e tocatinas.

Por isso, Martin afirmou que quer transportar esta amizade à música e à cultura de Cabo Verde para o seu CD e apresentar com seu violino uma homenagem à Cesária Évora e à música Cabo-verdiana.