A editora discográfica na qual gravaram nomes como Cesária Évora e Ildo Lobo, foi fundada em 1988, em França, e “está de boa saúde, com novos nomes que revelam as novas tendências da música africana, sem esquecer as suas raízes”, disse à agência Lusa Elodie da Silva, da Lusafrica.

“Há uma música tradicional, a qual o público gosta, mas tem-se desenvolvido uma música mais urbana e de contacto com o mundo, que tem dado um lugar de destaque à música africana no contexto global”, acrescentou.

Para celebrar 30 anos, a discográfica editou online um álbum, “Lusafrica 30th Anniversary Album”, que inclui remisturas de temas como “Nha Concera Ka Tem Medida”, de Cesária Évora, por Djeff, ou "Banza Rémy", de Bonga, acompanhado por Batida, entre outros.

O álbum, explicou a responsável, apresenta “a nova música de dança eletrónica feita com influências da música tradicional e fazendo com estas remisturas”.

“A Lusafrica reforçou a sua posição na divulgação da música africana internacionalmente, a partir de França, onde é a principal discográfica independente”, disse Elodie da Silva, que acrescentou: “A França tem bom ouvido e está aberta a conhecer novas sonoridades, o que dá um grande destaque à música africana em termos internacionais”.

Referindo que nem toda a música africana é igual e que sob esta designação “cabem variados géneros e tradições musicais”, Elodie da Silva salientou que “há um renovado interesse, nomeadamente nos seus recentes desenvolvimentos de cariz mais urbano, sem abandonar as suas raízes”.

A cabo-verdiana Cesária Évora, que morreu há sete anos, “é ainda hoje a grande estrela da música africana, com uma enorme notoriedade, e que tem aberto portas às novas gerações que cultivam os mais diversos géneros musicais do tradicional ao rap. Alguns dos novos músicos até lhe dedicam canções”.

A celebrar 30 anos, a discográfica que tem no seu catálogo artistas como Bonga, Bau, Teófilo Chantre, Fantcha, Tcheka, Boubacard Traoré, Cordas do Sol, entre outros, tem previsto para 2019 novos álbuns de Lura, Elida Almeida, Lucibela, e Blinky Bill, além de “novos artistas a revelar”.

Sobre Cesária Évora (1941-2011), Elodie da Silva afirmou que “não há inéditos a editar” nem gravações de concertos que deem origem a novos álbuns. A cantora, que se tornou uma “estrela internacional” dos palcos da ‘world music’ aos 47 anos gravou logo, em 1988, o álbum “La Diva aux Pieds Nus”, para a Lusafrica.

Sobre o aniversário da discográfica fundada por José da Silva, em Paris, Elodie da Silva afirmou à Lusa que 30 anos “são para celebrar e festejar, pois a Lusafrica conseguiu crescer e impor-se num mercado cada vez mais complicado e com novos desafios tecnológicos e não só, mas que tem levado a música africana, nos seus múltiplos géneros, a todo o mundo”.

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