Djozinha, que é homenageado na noite de hoje numa “Gala Jovens Cantam Morna”, organizado pela Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), disse à Inforpress que este reconhecimento é algo “extraordinário”.

Por outro lado, um dos fundadores do grupo “Vozes de Cabo Verde” (1966- 1970) criticou o facto de apesar de ter feito muito para Cabo Verde ainda não recebeu qualquer homenagem por parte do Governo.

“Sinto-me orgulhoso e estou tão satisfeito que não imaginas o que é que pode acontecer comigo durante o espectáculo. É uma coisa completamente extraordinária para mim porque tenho feito muita coisa para Cabo Verde, inclusivamente um programa de rádio, por 42 anos nos Estados Unidos da América, e até ainda não vi nada por parte do Governo de Cabo Verde”, criticou.

Com o término do grupo “Voz de Cabo Verde”, Djozinha seguiu carreira a solo, mas acredita que até os dias de hoje o legado dos integrantes do grupo, nomeadamente Toy Ramos, Chico Serra, Frank Cavaquinho, Morgadinho, Luís Morais, Jean da Lomba, continua vivo.

Apesar do estado de saúde de muitos dos elementos do grupo, o músico assegurou que não há mais possibilidade dos fãs virem a ter os fundadores do grupo no palco, mas que ainda há tempo de “alimentar” o grupo com novos elementos.

Com mais de 80 anos, este artista continua a cantar e a levar o nome de Cabo Verde para os vários palcos internacionais em que é convidado.

Conforme revelou à Inforpress, dos vários palcos que pisou o que mais lhe marcou foi na ilha de São Vicente e em Angola.

“Primeira vez que aparecemos em Cabo Verde, o povo veio das ilhas, de Santo Antão, São Nicolau, Santiago, para ir ver Voz de Cabo Verde em São Vicente, portanto São Vicente foi marcante. Agora falando de outros terras, Angola foi também excelente”, revelou.

Djozinha de nome próprio José Duarte, que iniciou a sua carreira musical aos sete anos, disse à Inforpress que ainda continua com a mesma energia, a mesma força e a mesma vontade de estar em cima do palco e esta energia vai levar consigo até os seus últimos dias.

De todos os géneros que canta, nomeadamente pop e rock americano e europeu, cumbia colombiana, merengue dominicana, guaracha cubana e coladeira, considerou que a morna é algo “sagrado”.

Com a classificação da morna a Património Cultural e Imaterial da Humanidade, defendeu que é preciso que os cabo-verdianos “acarinhem” mais este género musical.

Outra paixão deste músico é com os ritmos brasileiros e cumbia colombiana. Entretanto, revelou que a sua primeira paixão foi a música brasileira, uma vez que desde os seus quatro anos de idade ouvia somente músicas brasileiras em casa e nas Barbearias de São Vicente que depois das 17:00 transformavam-se em locais de música ao vivo.

Durante a “Gala Jovens Cantam Morna”, que acontece logo às 21:00 na Assembleia Nacional, na cidade da Praia, Djozinha promete levar morna e muita coladeira para fazer o público vibrar, dançar e cantar.

Esta gala conta com a participação dos jovens Lucy Soares, da ilha do Sal, Hilário Silva, de São Vicente, Rivaldo Bettencourt, de Santo Antão, Leontina Fortes, de São Nicolau, Juari Livramento, da Boa Vista, Raia Monteiro, da ilha do Maio, Nicla Amado, da ilha do Fogo, Arlindo Rodrigues, da Brava, Ruth Borges, de Santiago Norte e Victor Duarte, de Santiago Sul.

Como convidado especial estão a artista cabo-verdiana Cremilda Medina e o português Zé Perdigão, suportados pela banda de Kakú Alves.

A gala conta com a parceria da Associação Nacional dos Municípios, do Instituto do Património Cultural, da Cabo Verde Airlines entre outros.

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