“Tubarão Solitário” foi o título escolhido para o primeiro álbum de Djila, nome artístico de Virgílio Daniel Silva, um músico salense que sempre teve uma paixão pela música.

Nasceu em Pedra de Lume e foi ali que começou a dar os primeiros passos no mundo da música. Irmão, do lado da mãe, do falecido cantor Ildo Lobo, diz que é dele que herdou o timbre de voz que impressiona o público.

“Muitos dizem que quando me ouvem cantar pareço o Ildo. Ele foi e sempre será a minha fonte de inspiração”, afirma.

Apresentou-se pela primeira vez em público aos 10 anos. Tempos depois, participou no concurso “Todo Mundo Canta” e aos 20 anos, depois de terminar os estudos, passou a fazer parte de um grupo que tocava nos bailes populares da ilha do Sal.

“Assim ,comecei a ganhar algum dinheiro com a música”, lembra.

Em finais dos anos 80, Djila iniciou uma fase nova na sua carreira. "Comecei a cantar sozinho nos hotéis da ilha do Sal, nas outras ilhas e na Diáspora".

“Fiz tantas tentativas mas nunca quiseram apostar em mim”

Desde de 2000, deixou a carreira de professor para se dedicar só à música. Fez várias tentativas ao longo dos anos para realizar o sonho de gravar um álbum mas não conseguiu.

“Nunca quiseram apostar em mim. Devo ter tido alguma falta de sorte e agora chegou o momento e estou feliz”, recorda.

O momento de que fala surgiu durante a sua estadia em São Vicente, entre 2009 e 2010. Djila era figura frequente nas noites de Mindelo, principalmente no espaço "Alta Lua" onde atuava acompanhado pelo Bau. E foi ali que surgiu a ideia de fazer o disco. Impressionado com a voz e o talento de Djila, Bau entrou em contacto com o produtor Júlio do Rosário para que fosse um dia assistir o músico.

Júlio do Rosário lembra que também ficou impressionado com o talento de Djila. "Continuei em contacto com o Bau e quando achamos que era a altura certa fizemos o convite para trabalhar juntos num CD, isto em 2015", lembra.

Foram dois anos a preparar "Tubarão Solitário", um trabalho que Júlio do Rosário considera "um hino à música da nossa terra". E justifica: “Os artistas de maior sucesso como o Bana, Ildo Lobo, Biús, etc, são do tempo em que ainda se faziam serenatas, tocatinas e noites cabo-verdianas. E estes tinham a “cabo-verdianidade” na alma, então a forma de interpretar é diferente. Resta-nos aproveitar o talento de Djila que ainda guarda esta característica”.

Morna, coladeira, morna galope, mazurca e samba são alguns dos ritmos que compõem este trabalho.

Djila reconhece que teve bons momentos na música mas lamenta a falta de reconhecimento. "Já recebi elogios fora do país que nunca tinha ouvido aqui … E canto de forma igual aqui ou ali", acrescenta.

“Considero-me um intérprete da música cabo-verdiana”

A chegada deste trabalho ao mercado é, para o músico, o momento mais especial da sua caminhada.

“Nestas primeiras semanas que o álbum está no mercado o feedback tem sido positivo. As pessoas felicitam-me pelo trabalho. Estou muito feliz”, garante.

O álbum tem 12 faixa e reúne composições de Constantino Cardoso, Teófilo Chantre, Tibau, Taninho Évorta e Manuel d’Novas. Na produção, para além de Bau, participaram músicos como Erickson, Tei Santos e Calú Matos.

O álbum traz ainda uma composição do próprio Djila denominada “Tubarão solitário”, uma homenagem ao irmão Ildo Lobo. “Não me considero compositor. Tenho outros escritos mas ainda nada musical. Considero-me, sim, um intérprete da música cabo-verdiana”, afirma.

Para 2018, a produtora Boa Música prevê organizar quatro grandes espetáculos de lançamento do CD nas ilhas de São Vicente, Sal, Santiago e Santo Antão.

“Levamos muitas músicas para o estúdio e estas foram as escolhidas para entrar no primeiro CD. Acredito que daqui a uns três anos estarei a editar mais um álbum”, revela Djila.

“Espero que este trabalho me dê um outro rumo na música. Estou muito feliz”, termina.

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