A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo bailarino, que parte para a cidade de Braga, Portugal, em Janeiro de 2020, onde estará durante três meses em processo de criação e conclusão do seu trabalho na Arte Total, uma estrutura especializada na criação, produção e formação artística contemporânea.

Num momento em que o país e o mundo celebram a coroação da morna como património imaterial da humanidade, este jovem bailarino, que foi seleccionado pelo programa Procultura, vai dar a sua contribuição com a criação de um espectáculo que busca inspiração no género musical cabo-verdiano, a Morna.

Djam Neguim disse sentir-se “muito grato e entusiasmado” por ter esta oportunidade de desenvolver este projecto coreográfico, “na sonoridade das mornas com a intercepção de diferentes sinestesias e referências documentais sobre o tema”.

“Não é todos os dias que a dança recebe incentivos e que temos a oportunidade de realizar trabalhos fora de Cabo Verde nesta área. Na verdade, a bolsa atribuída é uma quantia de apoio e estou à procura de outros apoios com o Governo de Cabo Verde”, informou.

O espectáculo terá estreia em Março de 2020, em Portugal, e no mesmo mês segue para Cabo Verde para uma tournée por várias paragens nacionais e depois internacionais.

A ideia do espectáculo, de acordo com uma nota de imprensa, nasceu em Setembro, muito antes da atribuição desta bolsa da Procultura, quando o coreógrafo esteve no Brasil numa residência com a companhia de dança Balé Baiao, em Itapipoca.

Ainda no Brasil, numa digressão em finais de Novembro, Djam Neguim foi convidado por esta companhia de dança a ministrar oficinais, tendo na ocasião a oportunidade de explorar, juntamente com os bailarinos Gerson Moreno, director da companhia Bale Baiao, e Ernany Braga, os primeiros traços daquilo que constituirá o trabalho final.

O trabalho realizado com os dois bailarinos, informou, resultou num dueto chamado “Mornatomias Brasileiras”, que será exibida pela primeira vez ainda este mês na Mostra Intenções, em Itapipoca, e será apresentado em Cabo Verde, em 2020.

“Com várias proposições criativas, o coreógrafo cabo-verdiano desafiou os bailarinos com vários exercícios de composição e improvisação que serão de certa forma as linhas de inspiração para este solo”, lê-se na nota.

Mornatomia, de acordo com a mesma fonte, é a junção de morna e “tomia”, sufixo que traduz, nas ciências da saúde, a ideia de cortar em partes para analisa-las e entende-las holisticamente.

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