Em conversa com à Inforpress no Dia Mundial da Dança, Djam Neguin, nome artístico de Bruno Amarante, considerou que a dança, assim como todas as outras expressões artísticas no arquipélago, ainda “agoniza”.

“Em Cabo Verde não se pode falar em mercado de dança pura, simplesmente, por não existir um. Não existe uma economia gerada por produção de dança. Veja-se no calendário de actividades de Cabo Verde quantos eventos anuais de dança são feitos? Se chegar a cinco é recorde”, criticou.

A falta de credenciamento, falta de mapeamento, a não declaração da identificação e do estatuto de artista, para este coreógrafo, é das mais “terríveis” problemáticas da arte em geral no arquipélago.

Sem uma identificação da classe, considerou, é difícil um bailarino, coreógrafo, professor reclamar esses títulos.

Neste sentido, deixou alguns questionamentos de “como se construir políticas de fomento cultural, sem que os agentes tenham carteira?, como identificar e desenhar programas artísticos sem ao menos reconhecer, quantitativamente, quem e onde, como e o que andam os artistas desenvolvendo?.

“Não havendo uma base de dados nacional, uma inscrição padronizada, com base nos confirmados exercícios destas ocupações, como se pode responder às demandas e aos suprimentos? Como entender, estatisticamente, quais as medidas a serem tomadas?“, questionou.

Para este dançarino, é preciso caminhar para a qualificação desta manifestação cultural, porque sem academias, escolas profissionais e profissionalizantes, e não havendo um ensino contínuo, científico e sistemático da dança, é “muito difícil conseguir a respeitabilidade e o desenvolvimento desta arte”.

Numa altura em que se aposta muito nos meios digitais para a divulgação das artes, Djam Neguin defendeu que os dançarinos cabo-verdianos devem entender estas novas possibilidades virtuais como um caminho, “não só para a auto e hetero promoção, mas sobretudo para se gerar acções, eventos, acontecimentos, conexões”.

Questionado se é possível viver da dança em Cabo Verde, disse que é uma “questão difícil“, mas que de maneira organizada, pessoas singulares ou escolas podem dar aulas de dança e tirar os dividendos das mensalidades e até conseguir levar uma vida pagando contas com isso.

Por outro lado, frisou, quando se pensar em viver da dança numa perspectiva desvinculada desse formato de “dar aulas” é difícil.

“Estou a falar de solistas ou companhias que queiram trabalhar a dança cénica e fazer espetáculo. Estes, certamente enfrentam uma grande frustração”, considerou.

O Dia Mundial da Dança celebra-se todos os anos a 29 de Abril. A data foi criada em 1982 pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, que escolheu o dia 29 de Abril como o Dia Internacional da Dança.

A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e que foi um dos grandes nomes mundiais da dança.

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