"O R. Kelly e a Sony decidiram separar-se", informou com fontes anónimas o site especializado Billboard.

"A Sony Music decidiu terminar a sua relação profissional com R. Kelly", publicou a Variety, também com fontes não identificadas.

Contactada pela AFP, a Sony Music não confirmou imediatamente a informação.

O cantor de Chicago, que já desmentiu as acusações de abuso sexual, não fez comentários.

O cantor de 51 anos foi acusado em 2002 por filmar relações sexuais que teve com uma jovem de 14 anos, mas foi absolvido pelo júri em 2008.

Grande figura do R&B da década de 1990, autor da conhecida canção "I Believe I Can Fly", R. Kelly domina as manchetes desde que foi lançado um documentário sobre os seus alegados crimes sexuais.

A equipa de "Surviving R. Kelly" ("Sobreviver a R. Kelly") fez dezenas de entrevistas com pessoas que conviveram com o artista.

No filme de seis horas, transmitido pelo canal por assinatura Lifetime, várias mulheres acusam o cantor de ter tido relações sexuais com três adolescentes de menos de 16 anos quando ele já era maior de idade.

Outras testemunhas afirmam que Robert Sylvester Kelly, o seu nome de batismo, se cercava de mulheres que transformou em escravas sexuais e que hoje estão totalmente isoladas dos seus familiares.

"Ex-backing vocals" contam que foram testemunhas de relações sexuais entre R. Kelly e três menores de 16 anos, entre elas a cantora Aaliyah, falecida em 2001.

Estes atos são considerados delitos em vários estados americanos, como o Illinois, onde R. Kelly morava.

A mãe de Aaliyah, Diane Haughton, qualificou estas acusações de "invenções" e acusou a cantora Jovante Cunningham de ser "uma mentirosa", segundo uma declaração publicada na conta oficial da cantora.

No documentário, outras mulheres apresentam R. Kelly como manipulador, violento e amante de meninas muito jovens.

Lizzette Martinez, que o conheceu quando tinha 17 anos e ele quase 30, afirma ter sido vítima de maus-tratos psicológicos e "agressões físicas" durante a sua relação, que durou anos.

Lady Gaga apagou música com R. Kelly

Lady Gaga gravou em 2013 uma canção com R. Kelly cujo conteúdo, e o título ("Do What U Want With My Body"), evoca as acusações dirigidas ao cantor de R&B.

"Como vítima de abuso sexual, fiz esta música e este vídeo num momento obscuro da minha vida", explicou Lady Gaga numa mensagem publicada na sua conta no Twitter.

"A minha intenção era criar algo extremamente provocante e desafiador", continuou, "porque estava enojada e ainda não tinha percebido o trauma que tinha vivido".

Ao olhar para o título e conteúdo da canção, "vê-se claramente até que ponto a minha mente estava perturbada", escreveu Lady Gaga, que revelou ter sido violada aos 19 anos por um produtor musical.

"Não posso voltar atrás, mas posso continuar a apoiar as mulheres, homens e pessoas de todas as identidades sexuais, de todas as origens étnicas, que são vítimas de agressão sexual", continuou a estrela.

Lady Gaga disse que vai apagar a canção de todas as plataformas de música online e que não voltará a trabalhar com R. Kelly.

"Sinto muito, tanto pela minha falta de julgamento quando era jovem, como por não ter falado antes", concluiu.

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