Télio chega à redacção do SAPO em Lisboa, para nos falar sobre o novo EP, acompanhado da “família” – Deedz B, Dino e Fitas –, parte do colectivo SAF (Somos A Família). "Andam sempre juntos", confidencia-nos a agente da Sounds Good que os acompanha. "Somos mesmo amigos, estamos juntos quase todos os dias. Temos aquela intimidade que nos faz ir mais à frente. Somos a família", reforça Deedz B, o rapper que acompanha Deejay Télio em muitos dos seus sucessos e também neste "Happy Day", lançado há umas semanas.

É neste clima, entre a agente e os amigos, o sucesso e as raízes, os palcos cheios e o estúdio, que Télio Monteiro marca a conversa.

O músico tem milhões de visualizações no YouTube, três prémios PALOP Music Stars e o reconhecimento internacional. Quando questionado sobre o segredo para o sucesso, explica-nos a "Lei da Semeadura": "Estávamos a semear, não sabíamos quando íamos colher", mas a ideia de sucesso já ali bem estava plantada. E floresceu rapidamente em forma de visualizações no YouTube.

"Foi aquele choque positivo, tanto que, depois, chamámos o Dino, que estava em Inglaterra e largou tudo para vir lutar pelo sonho", explica Télio. Deedz B complementa: "Cada um teve de largar algo importante na vida. Eu estava na faculdade (estudava Recursos Humanos). Largámos tudo, juntámos a família e fizemos acontecer."

Télio continua: "Eu ganhava 100 euros e repartia pela minha mãe, pela minha filha, dava uma parte também ao meu melhor amigo e ficava com 20 euros para mim. Quando ganhei os primeiros 120 euros com o 'Que Safoda', larguei  tudo. Ganhei mais 20 euros! Achei que ia viver disso, sempre me contentei com pouco", conta-nos entre risos.

Diz-se seguro por não ter medo de voltar às dificuldades. “Basta não ter medo de nada. Nada é para sempre, nem nós, quanto mais o que estamos a fazer”. E este espírito descontraído reflecte-se bem na sua música. Acredita que a simplicidade é a fórmula do sucesso e revela que, quando estão em estúdio e terminam uma música, têm um lema: “Quando está bom, não inventa”. E, talvez por isso, o que ouvimos é fluído, simples e descontraído.

Depois do sucesso de 2015, vieram “Não Atendo”, “Ficou”, “Molexado”, “Num Tá Bom” ou “Esfrega Esfrega" a comprovar o sucesso e o interesse do público pelo estilo que Télio baptiza como Karanganhada – “em crioulo significa festa, boa vibe, curtição”.

Happy Day

Este single “Happy Day” é uma “batida mais tranquila, mais melódica, não tem o beat mais rijo da karanganhada”, explica, adiantando que “o people diz que tem um grande vibe”.

Não escondem que esperam “números happy”, mas o mote para a música foi animar o inverno que se faz sentir na Europa. “Queríamos dar uma prenda aos nossos fãs, para não haver tédio no inverno.”

Independentemente da estação do ano, a música é “happy” e pode ser ouvida aqui: https://www.somosafamilia.com/

“Os cotas são os patrões”

Entretanto, o sucesso levou-os a duetos improvávais, com David Carreira, músico pop com muito sucesso em Portugal, e seguem agora com uma parceria com Blaya, uma cantora portuguesa nascida no Brasil. Questionados sobre o sonho de fazer colaborações com outros artistas, os olhos de Deejay Télio e de Deedz B brilham ao pensar na hipótese de trabalharem com Matias Damásio, Paulo Fores ou Bonga. “Crescemos a ouvi-los”, diz Deedz B maravilhado com a ideia de poder partilhar um palco com um dos grandes. “Os cotas para mim são os patrões”, completa Télio.

Pegam nas referências de Angola, de onde é natural Télio, e enchem palcos pelo mundo fora. Cabo Verde é dos palcos que recordam com mais carinho: “Gosto muito, o people é cem por cento porreiro, sabem receber muito bem, volto a Cabo Verde sempre. Não há palavras”, elogia enquanto recorda o festival de Santa Maria, onde actuaram neste Verão às 05h da manhã. “A praia estava cheia, cheia, cheia, credo”, recordam todos com alegria.

A verdade é que as sonoridades africanas chegaram ao Ocidente para ficar. Em forma de kuduro, kizomba, semba ou zouk, os afro beats conquistaram palcos nos Estados Unidos e Europa, onde inúmeros artistas recuperam os sons do nosso continente, os remisturam. A Internet ajuda a esbater as fronteiras musicais e a dar a conhecer géneros originais, como é exemplo este karanganhada, que mistura um pouco de Angola,  Cabo Verde e Portugal, com alegria, descontracção e uma energia renovada.

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