A IX gala dos prémios da música cabo-verdiana, Cabo Verde Music Awards (CVMA) ficou marcada por algumas ausências entre os artistas mais nomeados, nomeadamente, Lucibela( 5 nomeações), Nancy Vieira e Djodje. A noite que aconteceu no sábado, dia 4 de maio, na Assembleia Nacional contou com menor afluência do público do que em edições anteriores, facto que foi lamentado pela organização.

Os CVMA 2019 arrancaram com a habitual passadeira vermelha por volta das 20h00 de sábado para cerca de uma hora e meia depois começar a gala musical que contou com transmissão em direto na TCV.

Os anfitriões da noite, Dj Pensador e a apresentadora moçambicana Vanessa Figueiredo, tiveram que puxar várias vezes pela plateia que aos poucos foi se posicionando na sala, mas mesmo assim acabou por não se ter casa cheia no evento.

“Dar o seu a seu dono”, foi este o propósito dos jurados desta edição dos prémios, segundo o presidente do júri, Mário Bettencourt, que foi o primeiro convidado a subir ao palco para falar sobre o evento.

Depois da atribuição das Menções Honrosas deste ano em que Nhelas Spencer, que recebeu a distinção para Compositor, agradeceu em nome dos restantes distinguidos: Batchart (Artista Solidário), Moisés Évora (Animador de Comunicação Social ), DJ Straga Beat (DJ), e Antero Simas com o tema “Doce guerra”, como Música da Nossa Vida, teve lugar um momento musical com os Rapaz 100 Juiz que cantaram o tema “Preparado”.

Mal sabia a dupla de Assomada que no final o tema iria ser escolhido como a Música do Ano nos CVMA 2019.

A entrega de troféus começou no feminino com a escolha de Nancy Vieira com o tema  Bocas di Paiol para a categoria Melhor Música Tradicional.  A cantora foi uma das ausências sentidas no certame, a par de Lucibela, a mais nomeada da noite e de Djodje. O prémio de Nancy Vieira foi recebido pelo produtor do disco o cabo-verdiano Teófilo Chantre.

Loony Johnson recebeu o próximo troféu na categoria Melhor Videoclipe com o tema “Homi Grandi” que viria a receber mais dois prémios na noite de sábado.

O rapper crioulo Djedje confessou  ao público que não esperava ser escolhido para receber o prémio na categoria Melhor Hip Hop/ RnB.

A noite prosseguiu com a voz da jovem cantora Yasmine que cantou alguns dos seus maiores hits e confessou estar nervosa por atuar perante vários artistas que sempre admirou.

Lucibela foi eleita como  Artista Revelação, uma das três categorias de voto popular, sendo que neste caso o mesmo valia 50 por cento para o resultado final.

O momento que se seguiu foi um dos pontos altos da gala com a entrada em palco de Nha Balila, uma ‘cantadeira’ carismática de 89 anos que é bem conhecida do público cabo-verdiano, que foi escolhida por Dino d’Santiago, também ausente, para receber o prémio na categoria Melhor Ritmo Internacional em nome do cantor de origem cabo-verdiana.

Mais tarde, o músico e produtor Roy Job subiu em palco para receber o troféu na categoria Melhor Coladeira. Para surpresa do artista, Roy Job conseguiu com o álbum “Dedication” mais dois prémios na noite da gala.

Uma homenagem a Orlando Pantera, reconhecido músico da ilha de Santiago falecido há 18 anos, marcou a noite com um momento musical em que se ouviram temas míticos como “Tunuca” e “Batuku” nas vozes de Victor Duarte e Xiomara Moreira.

Com um intervalo pelo meio e um momento de dança com os Bob Lux, a noite fluiu com um novo apresentador, o humorista Carlos Andrade que substituiu o DJ Pensador enquanto anfitrião.

À semelhança de alguns dos outros nomeados, Leo Pereira atuou no palco do evento.

Na categoria de Melhor Kizomba, na qual o cantor Denis Graça renunciou este ano a sua nomeação, o distinguido foi Djodje que não pode comparecer no evento.

Mais tarde, foi anunciado que cantor foi também o escolhido pelo público online para receber  o SAPO Award, prémio que distingue o artista mais votado da Internet.

Quem prometeu entrar numa nova etapa da sua carreira foi Tony Fika ao receber o prémio na categoria de Melhor Funaná.

O cantor Charbel também brindou os presentes com uma atuação em que interpretou alguns dos seus mais recentes sucessos.

Loony Johnson recebeu o prémio na categoria de Melhor Colaboração que o artista dedicou a Zeca Nha Reinalda, o seu companehiro neste tema musical.

Já na categoria de Melhor Produtor foi distinguido Roy Job que agradeceu aos artistas que tornaram possível que o seu primeiro álbum saí-se do forno.

“Homi Grandi” foi o tema que se ouviu de seguida na voz de Loony Johnson, que já tinha anunciado que o seu companheiro nesta canção Zeca Nha Reinalda não poderia estar presente no evento.

Pelo palco da Assembleia Nacional passaram ainda Don Kikas, que fez os presentes viajarem no tempo ao interpretar o tema “Angolanamente Sensual”, e os acordes do ‘kotxi pó’na voz do cantor de origem cabo-verdiana Gaby Baessa.

As distinções mais aguardadas ficaram para o fim. É o caso de Melhor Intérprete tanto Masculino, que foi entregue ao salense Mirri Lobo, que de resto já tinha recebido este mesmo galardão em 2012, como Feminina, recebido por Teófilo Chantre em nome de Nancy Vieira.

Noutra categoria popular, Melhor em Palco, Elji, também ausente, foi o escolhido para ser agraciado com um galardão.

Álbum do Ano foi o terceiro troféu recebido por Roy Job pelo CD “Dedication”. “Nada mau para o primeiro álbum”, confessou o também produtor.

No ano em que se vai saber se a Morna é eleita como Património Cultural Imaterial da Unesco, a entrega do troféu para Melhor Morna ficou para o fim e a vencedora nesta categoria, Lucibela com o tema “Laço Umbilical”, foi anunciada pelo ministro da cultura, Abraão Vicente, que se mostrou otimista com o resultado favorável a Cabo Verde nesta candidatura.

A noite contou ainda com uma singela homenagem a Dany Silva, escolhido para receber o Prémio Carreira dos CVMA 2019, uma distinção que o músico, que conta com 40 anos de carreira, afirmou deixa-lo comovido.

Com o intuito de celebrar a música e fazer a festa, Zito Sequeira da nova equipa da organização dos prémios, pediu a todos os nomeados e artistas convidados para que subissem ao palco para anunciar ao prémio mais esperado – Música Popular do Ano.

Na categoria em que havia três nomeados de peso – Loony Johnson (ft. Zeca Nha Reinalda), Rapaz 100 Juiz (ft. Calema) e Leo Pereira (ft. Big Z Patronato) – a dupla de Assomada acabou por levar a melhor.

Perto das duas da manhã, os Rapaz 100 Juiz fecharam a noite a cantar o tema acompanhados pelos restantes nomeados em palco.

Loony Johnson e Roy Job, os mais premiados

“Acho que foi um reconhecimento do trabalho que tenho vindo a fazer”, afirmou Loony Johnson, vencedor de três galardões dos CVMA 2019, no final da gala, em declarações ao SAPO, que acrescentou que a noite foi fantástica e que os vencedores foram justos.

O cantor e produtor afirmou saber que havia uma forte probabilidade de qualquer um dos nomeados vencer na categoria Música Popular e que o prémio seria de qualquer forma bem entregue.

Já o músico e produtor Roy Job que reside nos EUA e lançou no ano passado o seu álbum de estreia “Dedication” mostrou-se emocionado e surpreendido com os três troféus que conseguiu arrecadar na gala.“Foi excecional. Nem consigo explicar ainda. Não estava à espera. Foi incrível”.

CVMA 2019: Roy Job
créditos: CM

O artista que recentemente afirmou em entrevista que não pretendia lançar um novo trabalho devido à sua ocupação como produtor considerou que as distinções deste ano vão obriga-lo a repensar esta possibilidade.

Para já, Roy Job não tem shows marcados no país, mas afirmou que está a trabalhar para tal.

A dupla Rapaz 100 Juiz levou para casa o troféu mais cobiçado da noite – Música do Ano – uma categoria exclusivamente de votação popular. No final, Péricles da Costa, PnC, era um homem feliz. “É uma conquista grande. Lembro-me que há cerca de 15 anos, saímos de Assomada para vir à Praia para pedir que uma música nossa passasse na rádio. Foi assim durante quatro anos. E agora temos uma das músicas mais populares”.

Segundo o artista, a dupla promete ainda para este ano vários singles novos que já estão prontos a sair.

‘O nosso desejo é fazer a gala em março’ - organização

Não tendo ainda dados concretos dos números, no final do evento, a organização dos CVMA 2019, que este ano contou com uma equipa nova, confirmou à imprensa que a afluência do público foi menor, comparando com edições anteriores.

CVMA 2019: Organização
créditos: CM

“Notamos que este ano não tivemos uma adesão como tivemos em anos anteriores”, afirmou Zito Sequeira, diretor-geral dos prémios.

“Tentamos fazer tudo para que tivéssemos a adesão que tivemos em anos anteriores, mas devido a mil e uma coisas que se passaram, como vocês sabem, talvez tudo isso tenha muito a ver com a conjuntura (económica) e que é algo que talvez tenhamos que rever”, continuou o organizador mencionando os custos que envolvem uma ida à gala.

Quanto aos nomeados ausentes, Zito Sequeira justificou que muitos artistas cabo-verdianos ainda vivem dos concertos e não podem, por exemplo, dar-se ao luxo de deixar de fazer um concerto para assistir aos CVMA.

“Gostaríamos, como na primeira edição, dar um valor simbólico (aos artistas) para ajudá-los, mas não é possível. Os que não estiveram presentes justificaram quando receberam a nomeação, através de e-mails, que por compromissos profissionais não poderiam estar presentes”.

Ao que o diretor do evento foi questionado se não seria então preferível manter o evento no mês de março, já que maio é uma época alta a nível de shows para muitos músicos. “Infelizmente os CVMA dependem de patrocínios (…) Infelizmente, as respostas chegam em fevereiro ou em março (…) é-nos impossível fazer uma Gala em um mês. Daí a gala ter passado para maio. Mas o nosso desejo e, esperamos conseguir, é sempre fazer a gala em março”.

A organização adiantou ainda que se vai reunir com o ministro da cultura, um encontro que Zito Sequeira espera que seja positivo.

Mesmo tendo em conta a menor adesão do público, a organização garante que vai manter o Prémio de Responsabilidade Social dos CVMA 2019 que reverte a favor das vítimas do ciclone Idai em Moçambique, mas não se sabe ainda ao certo qual será o valor do apoio.